Senador Cid Gomes (PDT-CE) quer conversar com o PT. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Dez meses após fazer um discurso que afastou qualquer possibilidade de aliança com o PT na disputa do segundo turno presidencial, o senador Cid Gomes (PDT-CE) abre uma porta para a reconciliação.
Irmão do ex-governador Ciro Gomes (PDT), Cid afirma que apenas a união das forças que fazem oposição ao governo Bolsonaro poderá evitar que, em 2022, a eleição descambe para uma nova “maluquice”.
“O PT não é nosso inimigo, queremos nos colocar como alternativa progressista que não irá cometer os mesmos equívocos e erros graves que o PT cometeu, só isso. O PT pode ser aliado? Pode, pode ser antes e pode ser depois. Quem dita a forma é quem lidera”, afirmou em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco. “Não temos nenhum problema em fazer uma luta comum”, acrescentou.
“Acho que um grande erro na política brasileira é você se unir contra alguma coisa. Isso dá no Bolsonaro. O Brasil tem que se reunir em torno de um projeto, não de pessoas. Se na nova [eleição], ficar de novo, ressentimento contra a velha política, contra o PT, contra os partidos tradicionais e – vai entrar o nosso amigo Luciano Huck… Luciano acho que é muito melhor que o Bolsonaro, mas as coisas não são assim, se não tiver um projeto claro, experiência, vivência, traquejo, vai dar nessas maluquices aí”, disse.
Feridas de 2018
Em outubro do ano passado, em Fortaleza, Cid participou de um ato de apoio à candidatura de Fernando Haddad, que disputava o segundo turno contra Bolsonaro. Para surpresa da plateia petista, a aguardada declaração de apoio não veio.
Pelo contrário. Em discurso inflamado, o ex-governador desafiou o PT a assumir seus erros e responsabilizou o partido pela ascensão do então candidato do PSL.
“Vão perder feio porque fizeram muita besteira. Porque aparelharam as repartições públicas. Porque acharam que eram donos de um país, e o Brasil não aceita ter dono”, discursou em meio a vaias. “Lula, o quê? Lula tá preso, babaca“, respondeu a militantes que entoavam o nome do ex-presidente.





