Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Quem fala a verdade? Caso de tenente da PMAM preso por estupro expõe versões opostas e disputa pública no AM

Deputada Alessandra Campelo denuncia coação à vítima; Kamila Fernanda, companheira do tenente da Polícia Militar do Amazonas, rebate, nega crimes e aponta perseguição política.

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Da esquerda para a direita: Alessandra Campelo, Tenente PM Osvaldo Silva e Kamila Fernanda (Foto: Divulgação Assessoria e Reprodução/Redes Sociais Kamila Fernanda)

Manaus (AM) – A denúncia de estupro envolvendo um tenente da Polícia Militar do Amazonas, já marcada por forte repercussão, ganhou novos contornos nesta segunda-feira (27) após a divulgação de versões completamente opostas sobre o caso. De um lado, a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), que afirma haver tentativa de coação contra a vítima. Do outro, Kamila Fernanda, que nega irregularidades e diz estar sendo alvo de perseguição política e tentativa de destruição de reputação.

Diante de acusações graves, narrativas conflitantes e exposição pública crescente, uma pergunta passa a dominar o caso: quem está falando a verdade?

O que diz a deputada Alessandra Campelo

Durante coletiva de imprensa realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a deputada Alessandra Campelo apresentou novos desdobramentos envolvendo a jovem Tainara Soares, de 25 anos, que acusa o tenente Osvaldo Lima da Silva, conhecido como “Grilo”, de estupro.

O policial já está preso preventivamente. Segundo a denúncia inicial, o crime teria ocorrido dentro de um posto de fiscalização na rodovia AM-010, onde a vítima afirma ter sido coagida e violentada sexualmente em uma sala da unidade policial.

Na coletiva, Campelo destacou um novo episódio que, segundo ela, configura tentativa de intimidação da vítima. De acordo com o relato apresentado, Tainara teria sido enganada por uma mulher que se apresentou falsamente como servidora da Procuradoria Especial da Mulher da Aleam.

A suposta abordagem envolvia a promessa de entrega de dinheiro, que teria sido apresentado como apoio institucional.

Ao aceitar o encontro, a vítima teria sido levada a circular por diferentes áreas de Manaus, quando, segundo seu relato, passou a sofrer pressão psicológica para desistir da denúncia.

“Eles usaram o nome de uma instituição séria para me tirar de casa e tentar me calar”, afirmou Tainara durante a coletiva.

Ainda conforme o relato, em determinado momento do trajeto, uma mulher identificada como Kamila teria entrado no veículo. A vítima disse tê-la reconhecido por vídeos na internet como sendo companheira do policial preso.

A deputada Alessandra Campelo classificou a situação como “inaceitável” e afirmou que houve tentativa deliberada de interferir no caso.

“Uma coisa é a esposa dizer na internet que acredita no seu marido, outra coisa é armar uma emboscada, fingindo ser servidora da Procuradoria da Mulher para atrair uma vítima”, declarou.

Segundo Campelo, a equipe jurídica da Procuradoria da Mulher registrou boletins de ocorrência apontando crimes de falsidade ideológica, coação e ameaça. A parlamentar também informou que a Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) foi acionada para apurar a conduta de advogados supostamente envolvidos.

A deputada ainda ressaltou que o Estado foi mobilizado para garantir proteção à vítima, incluindo acolhimento institucional.

“Não vamos admitir que uma mulher, após ser vítima de uma violência brutal dentro de uma unidade policial, seja agora caçada e coagida por quem deveria cumprir a lei. O Estado dará todo o suporte necessário para que a justiça seja feita”, afirmou.

O que diz Kamila Fernanda

Em sentido oposto, Kamila Fernanda usou as redes sociais para apresentar sua versão dos fatos e rebater as acusações.

Em transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram (@kamilafernandam), ela negou qualquer prática criminosa e afirmou que está sendo injustamente responsabilizada. “Eu não cometi nenhum crime, volto a repetir, não cometi nenhum crime”, declarou.

Kamila também afirmou que está à disposição das autoridades e que pretende apresentar sua versão formalmente. “Eu estou à disposição da justiça, das autoridades policiais. Tudo está documentado”, disse.

Ela alegou possuir provas que, segundo afirma, poderão esclarecer o caso. “Eu tenho provas, eu tenho prints, eu tenho conversas, que eu vou entregar às autoridades policiais”, afirmou.

Outro ponto central da fala de Kamila é a negação de que esteja foragida ou descumprindo qualquer determinação judicial. “Não existe mandado de prisão. Eu não estou foragida. Eu estou aqui, de cara limpa”, declarou.

Além da defesa pessoal, Kamila fez duras críticas à deputada Alessandra Campelo, atribuindo à parlamentar motivações políticas. “Tudo que você está fazendo não é por justiça, você está fazendo isso por política”, afirmou.

Ela também acusou a deputada de tentar influenciar a opinião pública. “Você está tentando manipular a opinião pública para me condenar”, disse.

Kamila ainda mencionou divergências políticas antigas e afirmou que há perseguição. “Desde 2019 ela me tomou como inimiga pessoal”, declarou.

Em outro trecho, afirmou que também se considera vítima. “Eu sou tão vítima quanto essa menina que está fazendo as acusações”, disse.

Conflito de narrativas e julgamento público

O caso passa a reunir dois eixos distintos: a denúncia original de estupro, que segue sob investigação, e o embate público envolvendo suposta coação da vítima e alegações de perseguição política. De um lado, há a versão apresentada pela vítima e reforçada pela deputada, com acusações de uso indevido de instituição pública, pressão psicológica e tentativa de silenciamento.

De outro, há a negativa categórica de Kamila, que afirma não ter cometido crime, questiona a atuação da parlamentar e sustenta que há interesses políticos por trás das acusações. As duas versões são incompatíveis entre si.

O que acontece agora

O tenente da Polícia Militar segue preso preventivamente. As denúncias envolvendo possível coação, falsidade ideológica e ameaça também devem ser apuradas pelas autoridades. Enquanto isso, o caso segue ganhando repercussão e sendo travado também no campo da opinião pública — com acusações, vídeos, coletivas e disputas de narrativa.

No meio desse cenário, a resposta para a pergunta que mobiliza o caso ainda não existe de forma definitiva. A definição sobre o que de fato aconteceu — e sobre quem está dizendo a verdade — não será dada por versões públicas ou disputas políticas, mas pelo andamento das investigações e pela análise da Justiça.

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