Manaus, 28 de agosto de 2026
×
Manaus, 28 de agosto de 2026

Cenário

R$ 364 milhões: sistema prisional do AM engorda contratos terceirizados

Secretaria de Estado de Administração Penitenciária prevê quase R$ 1 milhão por dia em contratos para presídios do Amazonas.

r-364-milhoes-sistema-prisiona

Dividido pelos 365 dias do ano, o montante representa cerca de R$ 997,8 mil por dia (Foto: Divulgação/Governo do Amazonas)

Manaus (AM) — O sistema prisional do Amazonas deverá movimentar R$ 364,2 milhões em novos contratos ao longo de 12 meses, conforme os valores previstos em dois contratos firmados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) em agosto de 2026, no período do governo tampão de Roberto Cidade, que sucedeu o ex-governador Wilson Lima.

A cifra representa aproximadamente R$ 30,35 milhões por mês e cerca de R$ 997,8 mil por dia. Ou seja: praticamente R$ 1 milhão por dia em contratos relacionados à operação de unidades prisionais.

Os contratos envolvem dois grupos distintos. Um deles, no valor aproximado de R$ 165,6 milhões, foi firmado com a RH Multi Serviços Administrativos Ltda. para prestação de serviços no Instituto Penal Antônio Trindade (IPAT) e na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

O segundo, de aproximadamente R$ 198,6 milhões, envolve o Consórcio Gestão Prisional do Amazonas (CGPAM).

Terceirização já estava no radar

Os novos contratos não aparecem isoladamente. Em dezembro de 2025, o Portal AM1 já havia publicado levantamento sobre os gastos da SEAP e apontado a presença significativa de empresas terceirizadas na estrutura de gestão do sistema prisional. Veja aqui o Raio-X da SEAP.

No levantamento, a RH Multi já aparecia entre os fornecedores ligados a contratos de valores milionários.

A empresa também possui histórico de atuação no sistema prisional amazonense. Conforme documentação citada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a RH Multi está vinculada à cogestão do IPAT e da UPP por meio do Contrato nº 008/2020-SEAP.

O Consórcio Gestão Prisional do Amazonas (CGPAM) também atua dentro do modelo de cogestão. Documentos do CNJ identificam entre as empresas integrantes do consórcio a EMBRASIL Serviços Ltda., Empresa Brasileira de Segurança Ltda. e NewLife Serviços.

Na prática, os novos contratos reforçam uma estrutura de gestão prisional terceirizada que já movimentava recursos públicos em contratos anteriores.

Quase R$ 1 milhão por dia

É o tamanho da cifra que coloca os novos contratos no centro da discussão. Considerando os R$ 364,2 milhões previstos para 12 meses, o valor médio chega a aproximadamente R$ 30,35 milhões por mês.

Dividido pelos 365 dias do ano, o montante representa cerca de R$ 997,8 mil por dia. É praticamente R$ 1 milhão diariamente destinado aos dois contratos.

A dimensão do gasto ganha ainda mais relevância porque não se trata de uma estrutura recém-criada. Parte dos serviços está inserida em um modelo de cogestão que já vem sendo utilizado pelo sistema prisional do Amazonas.

Contratos milionários, modelo antigo

O ponto central, portanto, não é afirmar que os novos contratos sejam irregulares. Os valores, por si só, não demonstram irregularidade.

A questão é outra: quanto o Estado está destinando à terceirização da gestão prisional e quais resultados concretos esse modelo entrega em relação ao custo para os cofres públicos?

O levantamento publicado pelo Portal AM1 em dezembro de 2025 já havia colocado sob análise os gastos da SEAP, a presença de empresas terceirizadas e a dimensão financeira dos contratos do sistema prisional.

Agora, oito meses depois, dois novos contratos somam R$ 364,2 milhões em previsão para apenas um ano.

A cifra permite uma comparação que dispensa adjetivos: o sistema prisional movimenta quase R$ 1 milhão por dia nesses dois contratos.

O governo precisa mostrar o resultado

Diante do tamanho da despesa, a cobrança que fica para a administração estadual é objetiva: quais resultados concretos justificam quase R$ 1 milhão por dia em contratos de gestão e serviços prisionais?

A resposta passa por indicadores que podem ser mensurados: qualidade dos serviços, manutenção das unidades, segurança, ressocialização, redução de ocorrências, atendimento aos presos e cumprimento das obrigações contratuais.

Sem esses dados, o número mais visível é o da própria despesa. R$ 364,2 milhões em 12 meses. Quase R$ 30,4 milhões por mês. E praticamente R$ 1 milhão por dia.

O modelo de terceirização permanece em funcionamento — e agora com mais R$ 364,2 milhões previstos em dois novos contratos assinados na gestão do governador tampão, que, antes de assumir o cotrole da máquina pública estadual, era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

Confira os documentos analisados pelo Portal AM1 em dezembro de 2025:

LEIA MAIS: