Manaus, 13 de abril de 2024
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Manaus, 13 de abril de 2024

Cenário

Relembre os secretários de Saúde que já passaram no governo de Wilson

Na ocasião da exoneração de Anoar, o governador anunciou Nayara Maksoud, enfermeira de carreira dos quadros da SES-AM desde 2005, como a nova titular da pasta.

Relembre os secretários de Saúde que já passaram no governo de Wilson

(Fotos: Divulgação/Secom/Arte Portal AM1)

Manaus (AM) – Com a exoneração do médico urologista Anoar Samad, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), nessa terça-feira (19), já somam cinco trocas na pasta desde que Wilson Lima (UB) foi empossado no primeiro mandato como governador do Amazonas, em 2019. Desde então, diversas crises culminaram na exoneração dos titulares da SES-AM. Anoar Abdul Samad, Marcellus Campelo, Simone Papalz, Rodrigo Tobias de Souza Lima, Carlos Alberto Souza de Almeida Filho.

Na ocasião da exoneração de Anoar, o governador anunciou a nomeação de Nayara Maksoud, enfermeira de carreira dos quadros da SES-AM desde 2005, como a nova titular da pasta.

Nayara Maksoud

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Nayara Maksoud e Anoar Samad (Foto: Divulgação/SES)

Formada em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, estado onde nasceu, Nayara também tem experiência na Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso do Sul. E, também, atuou como secretária executiva adjunta de política de saúde entre 2019 e 2022; foi diretora do Hospital Francisca Mendes até julho de 2023 e, respondia como coordenadora do Complexo Regulador do Amazonas, cargo que deixou ao assumir a SES-AM.

Agora, segundo o governo, ela tem como missão dar continuidade ao trabalho de fortalecimento e modernização da rede estadual de Saúde que tem sido realizado desde 2019, com a ampliação dos serviços de média e alta complexidade ofertados à população, tanto da capital, quanto do interior do Amazonas, garantindo o direito à Saúde de qualidade.

O quinto secretário à frente da SES, Anoar Samad tem quase 30 anos de experiência na área de saúde, e é reconhecido nacional e internacional pela sua atuação na especialidade de urologia no Amazonas. Mineiro, Samad mora no Amazonas há mais de 12 anos., e atuou como professor nos cursos de medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), assim como também exerceu a especialização como de diretor de ensino e pesquisa na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), onde se manteve por 16 anos.

Como secretário, Anoar Samad foi responsável por conduzir a implantação de importantes serviços como as primeiras UTIs instaladas no interior; a realização de transplantes renais e de implantes coclear, além da entrega de novos Caics +Especialidades.

Ele assumiu a pasta em junho de 2021 e foi o secretário que mais durou, quase três anos, na saída alegou motivos particulares.

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Marcellus Campêlo

Entre os meses de julho 2020 e junho 2021, Marcellus José Barroso Campelo esteve como o quarto secretário de Saúde do Amazonas no governo Wilson Lima. Antes de ser exonerado, Marcellus Campêlo disse que deixava a secretaria para facilitar “ao máximo” o acesso das autoridades aos documentos sobre contratos e decisões que tomou à frente do órgão.

Marcellus Campêlo foi efetivado no cargo de secretário estadual de Saúde após ter assumido interinamente a pasta no dia 6 de julho, quando a então titular, Simone Papaiz, foi exonerada. Atuou na reestruturação organizacional da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Dentre as mudanças, implantou o Programa de Modernização da Saúde Pública, o Saúde Amazonas.

Responsável pela coordenação de cerca de 20 mil servidores, em 57 unidades na capital e mais 60 no interior, a estrutura organizacional da secretaria, antes do programa Saúde Amazonas, contava com apenas cinco gestores – o secretário de Estado de Saúde, o secretário Executivo e os Adjuntos do Fundo Estadual de Saúde (FES), da Capital e do Interior.

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(Foto: Divulgação/Secom)

O sistema de saúde do Amazonas entrou em colapso por conta do alto número de internações por Covid-19, entre abril e maio. E Campêlo também entrou na mira da Polícia Federal (PF), da operação Sangria, que investigava a alta cúpula do governo do Amazonas por desvios na Saúde. Chegou a ser preso na ocasião em que tentava sair do Estado, no aeroporto de Manaus.

À frente da pasta por 13 meses, Marcellus Campêlo disse à epoca, que “as denúncias não tinham sustentação”, no entanto, a permanência dele no cargo poderia ser entendida como forma de “manipulação as informações”, motivo que lhe fez entregar cargo, e assim, deixar a PF apurar os fatos relacionados à operação Sangria.

A Operação Sangria investigava supostas fraudes em licitações e desvios de verbas públicas no governo do Amazonas que deveriam ser usados no combate à Covid-19.

Entre os principais fatos investigados foram citados a compra de respiradores por intermédio de uma loja de vinhos em 2020, com dispensa de licitação por R$ 2,976 milhões; irregularidades na contratação de um estabelecimento de saúde para servir como hospital de campanha em janeiro de 2021.

Segundo a PF, a investigação encontrou registros que comprovam a ligação entre agentes públicos e os empresários envolvidos na fraude.

Com a exoneração, o agora ex-secretário Rodrigo Tobias retornava a função de técnico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Simone Papalz

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Havia sido determinado pelo governador do AM que Simone Papalz trabalhasse para aumentar o número de leitos de UTI no Hospital Delphina Aziz –  (Foto: Diego Peres/Secom)

Simone Papalz foi secretária da SES-AM entre abril de 2020 e julho do mesmo ano. Wilson Lima apresentou a nova secretária por meio de transmissão online. Na ocasião, Simone disse que iria agregar e humanizar o sistema de saúde do Estado. Diante do avanço do coronavírus no Amazonas, implantou o programa Anjos da Saúde, composta de equipe multiprofissional, com assistentes sociais, psicólogos e outras áreas, com intuito de dar apoio no atendimento interno e nas tendas de triagem externa que foram implantadas nas unidades de saúde para organizar o fluxo de pacientes na rede de saúde.

Contudo, a trajetória relâmpago da secretária paulista, que tinha como missão atuar na ampliação do número de leitos de UTI no Hospital Delphina Aziz, com a chegada dos 19 novos respiradores e também na preparação do Hospital Nilton Lins para aumentar o número de leitos clínicos durante a pandemia de covid-19.

Simone também iria implantar um programa, os “Anjos da Saúde”, em que 30 assistentes sociais deveriam atuar no acolhimento de pessoas, em pontos estratégicos do sistema de saúde, nas proximidades das unidades de urgência e emergência, e assim humanizar o atendimento médico, durante a pandemia.

No entanto, sua passagem foi marcada por denúncias de irregularidades em contrato firmado entre a Prefeitura de Bertioga e uma empresa de comércio varejista de artigos médicos e ortopédicos para aluguel de equipamentos hospitalares para implantação de dez leitos de UTI adulto por R$ 483,3 mil, na primeira fase da Operação Sangria, do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal, em Manaus.

No dia 30 de junho de 2020, Simone teve prisão temporária decretada. Com ela, outras seis pessoas foram presas temporariamente no Amazonas, e 14 mandados de busca e apreensão cumpridos. Sendo colocada em liberdade no dia 5 de julho, conforme a Secretaria de Administração Penintenciária (Seap) do Amazonas. À época, dos sete presos, três foram colocados em liberdade, e outros quatro tiveram a prisão temporária convertida em prisão domiciliar.

Mas antes de Simone, quem ocupou a cadeira da SES-AM foi o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Amazônia (Fiocruz), Rodrigo Tobias de Souza Lima. Formado pela Universidade Federal do Pará, acumula títulos como especialista em Saúde Coletiva e Bioética, além de Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia, também pela Fiocruz.

Rodrigo Tobias

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(Foto: Michel Melo)

Rodrigo Tobias foi secretário por 13 meses, entre março de 2019  e abril de 2020. Foi responsável pelo início do plano de ação que fez com que o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz passasse a funcionar com 100% de sua capacidade instalada. Com uma carreira focada no estudo da atenção primária, Rodrigo Tobias defendeu maior apoio aos municípios. Ele queria fortalecer os serviços nos municípios para que os cidadãos interioranos não precisassem sair de suas localidades para buscar assistência médica fora.

Mas, devido a pandemia de covid, durante uma entrevista, Tobias disse que 95% dos leitos de UTI em Manaus estavam ocupados devido a onda de Covid-19. Ele afirmou, ainda, que era contra a compra de respiradores para tratamento de pacientes com Covid-19, pois os equipamentos não atendiam os pacientes de UTI, que eram a prioridade no momento. Também anunciou em uma entrevista, para uma emissora de Manaus, que o sistema de saúde iria entrar em colapso nos dias seguintes, e que devido a essa situação havia se feito necessário a ampliação do necrotério do Hospital Delphina Aziz com um contêiner frigorífico. Dois dias depois foi exonerado.

Carlos Alberto Souza de Almeida Filho

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O ex-vice-governador do Amazonas e defensor público Carlos Alberto Souza de Almeida Filho esteve à frente da pasta de janeiro a março de 2019. Na gestão dele, convocou 86 profissionais aprovados no concurso público, realizado em 2005, para ocupar cargos na Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) e defendeu o fortalecimento da assistência social .

O nome dele foi um dos primeiros a ser apresentado para constituir a equipe de secretários do recém-eleito governador Wilson Lima, que tomaria posse a partir de janeiro de 2019. Entretanto, o país anunciou no mês seguinte uma epidemia desconhecida, que rapidamente se espalhou para o mundo.

E em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) caracterizou a covid-19 como uma pandemia. Manaus foi um dos Estados brasileiros que entrou em colapso, com uma explosão de casos que matou quase 14 mil pessoas, chegando a média de 130 mortes por dia, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP).

Diante da crise instalada devido à doença, a Secretaria de Saúde do Amazonas o exonerou após ser denunciado por ação de improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado.

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