Roberto Cidade chega às urnas após seis meses no governo marcados por operações da PF (Foto: Divulgação/Assessoria)
Manaus (AM) – O governador Roberto Cidade (União Brasil) chega ao primeiro turno das eleições, neste domingo (4), com um governo de seis meses marcado por operações da Polícia Federal e investigações eleitorais. Candidato à reeleição, Cidade viu órgãos ligados à estrutura estadual serem alvo de buscas em meio a apurações sobre o suposto uso da máquina pública para fins eleitorais.
Em 3 de setembro, a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam), vinculada ao governo estadual, foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito de uma investigação eleitoral. A apuração envolve a transferência de 19 servidores de Manaus para municípios do interior. A Justiça Eleitoral suspendeu as mudanças após apontar, em análise preliminar, possível conduta vedada pela legislação eleitoral e risco de “contaminação do pleito”.
A investigação ganhou novos elementos após a PF identificar que a Aadesam teria tido conhecimento prévio da ordem judicial de busca e apreensão. Segundo relatório dos investigadores, um computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos foi encaminhado para manutenção na manhã da operação e posteriormente apresentado aos agentes como “corrompido”, sem avançar além da tela de BIOS. O equipamento foi apreendido para perícia, que deverá apontar se houve falha técnica, formatação, apagamento ou alteração de dados.
Em 4 de setembro, um dia após a primeira diligência, a PF voltou à sede da Aadesam para dar continuidade à coleta de documentos e informações. A movimentação ocorreu dentro da mesma investigação eleitoral, que apura possíveis abusos de poder político e econômico relacionados à campanha de Roberto Cidade.
Segurança Pública também entrou no radar
A mais recente ofensiva ocorreu em 1º de outubro, apenas três dias antes da votação. A Polícia Federal, sob condução do Ministério Público Eleitoral, cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e em endereços ligados ao ex-secretário da pasta, coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, candidato a deputado estadual pelo Podemos.
Segundo o Ministério Público Federal, a investigação apura o possível uso de veículo oficial da SSP, servidores públicos durante o horário de expediente e a atuação de um servidor não afastado como coordenador de campanha. A apuração também identificou um imóvel que não teria sido declarado à Justiça Eleitoral e que seria utilizado como estrutura de apoio à campanha. Cerca de R$ 100 mil em espécie foram apreendidos na residência de um dos alvos.
Embora o principal alvo seja o ex-secretário e candidato, a operação atingiu diretamente uma das principais estruturas do governo estadual e colocou a Segurança Pública no centro de uma investigação eleitoral às vésperas da votação.
Operação de 2022 amplia o desgaste
Outro episódio que passou a fazer parte do ambiente político da campanha foi a Operação Combustão, deflagrada pela PF em 24 de setembro. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores em uma investigação sobre possível desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular relacionados às eleições de 2022.
A investigação envolve contratos firmados pela Aadesam e a circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas. Os fatos, porém, são relacionados ao pleito de 2022 e não à atual campanha de Roberto Cidade. Naquele ano, o Amazonas era governado por Wilson Lima, hoje candidato ao Senado e aliado político de Cidade.
Mesmo sem ligação direta com a administração atual, o episódio acrescentou pressão sobre uma estrutura pública que já vinha sendo alvo de questionamentos e operações durante a atual campanha.
Um governo de poucos meses
Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas em 4 de abril, após a renúncia de Wilson Lima e do então vice-governador Tadeu de Souza. Naquele momento, Cidade ocupava a Presidência da Assembleia Legislativa e passou a comandar o Estado interinamente. Um mês depois, em 4 de maio, foi eleito pela própria Aleam, por votação indireta, para completar o mandato até janeiro de 2027.
Agora, seis meses depois de chegar ao Palácio do Governo, Cidade tenta transformar o mandato-tampão em um mandato conquistado pelo voto popular. A campanha, no entanto, chega ao primeiro turno acompanhada por uma sucessão de episódios envolvendo órgãos ligados ao Estado, decisões da Justiça Eleitoral e investigações sobre possíveis irregularidades eleitorais.
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