SEAP. (Foto: Divulgação/Secom)
Manaus (AM) – A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP-AM) mobilizou servidores para reforçar a Unidade Prisional de Maués por quase 30 dias, ao mesmo tempo em que o Governo do Amazonas promoveu mudanças em cargos estratégicos da estrutura prisional. Os atos foram publicados no Diário Oficial do Estado em 25 de setembro de 2026.
A movimentação chama atenção porque o próprio documento oficial não informa qual problema levou a secretaria a manter um servidor em Maués entre 23 de setembro e 22 de outubro. O ato apenas registra que Ariomar Fermin foi deslocado para prestar “apoio operacional” na unidade, com direito ao pagamento de diárias.
O período de permanência chega a aproximadamente um mês. Apesar disso, o Governo não detalhou no ato se o deslocamento foi provocado por falta de efetivo, necessidade de reforço na segurança, problemas administrativos ou alguma ocorrência específica.
Reforço ocorre em meio a outras movimentações
A situação não se limita ao deslocamento para Maués. Na mesma publicação, a SEAP autorizou viagens de servidores para realizar escoltas de presos.
Dois servidores foram deslocados para Maués entre 9 e 11 de outubro para realizar a escolta de um preso transferido de Manaus.
Em outro ato, dois servidores foram enviados para Beruri, entre 3 e 7 de outubro, para realizar a escolta de um apenado que seria apresentado ao Tribunal do Júri.
As movimentações representam mobilização adicional da estrutura penitenciária estadual, mas os atos publicados não apresentam informações sobre o impacto dessas operações no efetivo disponível nas demais unidades.
Quase 30 dias de apoio, mas sem explicação detalhada
O caso de Maués é o que mais chama atenção pelo período do deslocamento.
O servidor permanecerá na cidade por praticamente um mês, segundo a autorização publicada pela própria SEAP. O documento, entretanto, limita-se a informar que o objetivo é prestar apoio operacional.
A ausência de uma justificativa mais detalhada deixa sem resposta uma questão central: por que uma unidade prisional precisou de um servidor deslocado de Manaus por quase 30 dias?
O Diário Oficial não esclarece se existe déficit permanente de servidores na unidade, se houve alguma situação excepcional ou se a medida faz parte de uma estratégia mais ampla de segurança penitenciária.
Governo também troca peças no comando da SEAP
Paralelamente às movimentações operacionais, o Governo do Amazonas alterou cargos dentro da estrutura da Secretaria de Administração Penitenciária.
Raimundo Aroldo Lucas de Maceda foi exonerado do cargo de diretor de unidade prisional, enquanto Débora Lobato de Melo deixou a função de diretora-adjunta.
Na sequência, Adriana Gomes de Brito foi nomeada diretora-adjunta de unidade prisional e Lilian do Nascimento Siqueira passou a ocupar o cargo de assessora IV.
Outro ato nomeou Raimundo Aroldo para a função de coordenador do Sistema Prisional da SEAP, com efeitos retroativos a 14 de agosto. O documento registra ainda a exoneração de Maks Jean Alves do cargo.
Mudanças aumentam questionamentos sobre gestão prisional
A combinação entre deslocamentos extraordinários, escoltas e mudanças no comando da estrutura prisional expõe uma rotina de movimentações administrativas que merece acompanhamento.
No caso de Maués, a principal lacuna está na falta de informações sobre o motivo que justificou a permanência de um servidor durante quase um mês na unidade.
A transparência sobre a necessidade desses deslocamentos é relevante porque envolve recursos públicos, pagamento de diárias e mobilização de servidores do sistema penitenciário.
Até o momento, o Diário Oficial registra as medidas administrativas, mas não apresenta detalhes suficientes para explicar qual problema operacional o Governo do Amazonas está tentando solucionar em Maués.





