(Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – A Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc), no governo Wilson Lima, acaba de homologar duas contratações que juntas somam R$ 73.436.430,00, ambas destinadas a serviços de tecnologia da informação, um volume de recursos que contrasta com os resultados ruins da educação pública do Estado e reacende suspeitas sobre a forma como a pasta vem operando nos últimos anos.
As duas licitações, uma para implantação de sistema de ponto eletrônico e outra para “transformação digital”, foram entregues a empresas de grande porte, com estruturas societárias complexas e pouca transparência sobre beneficiários finais.
Nos bastidores, reforçam a percepção de que a Seduc vem sendo comandada não pela gestora oficial, mas por um ex-secretário que hoje ocupa cargo vitalício na Administração Pública e é apontado como o verdadeiro articulador das contratações da pasta.
R$ 52 milhões para a Vint Global Tecnologia LTDA
O maior contrato de R$ 52.053.750,00 foi adjudicado à empresa Vint Global Tecnologia LTDA (CNPJ 55.824.693/0001-29), vencedora do Pregão Eletrônico nº 662/2025, para serviços de manutenção, otimização, modernização e desenvolvimento de soluções tecnológicas personalizadas, dentro da agenda de “transformação digital” da Seduc.
Segundo a Receita Federal, a empresa pertence à Nivea Santos de Almeida – administradora – e SCAF Holding SA, representada por Suany Cavalcante Veras. A presença de uma holding entre os sócios eleva o nível de opacidade sobre os reais proprietários, dificultando o rastreio de interesses e eventuais vínculos políticos.
R$ 21,38 milhões para a XMarket Serviços de Aplicação e Hospedagem LTDA
O segundo contrato, de R$ 21.382.680,00, decorre do Pregão Eletrônico nº 459/2025 e foi entregue à empresa XMarket Serviços de Aplicação e Hospedagem na Internet LTDA (CNPJ 20.718.295/0001-43), para sistema de ponto eletrônico e gestão inteligente de recursos humanos, com locação de equipamentos, instalação, manutenção e operação.
Segundo a Receita Federal, a empresa pertence a Andre Luiz Santos de Souza, Yoram Yaeli, e DAY.IO Holdings Limited. O controle societário inclui uma empresa estrangeira, o que adiciona mais uma camada de dificuldade na identificação dos interesses por trás da operação.
Pacote de tecnologia
Ao autorizar, de uma só vez, R$ 73,4 milhões em contratações na área de TI, o governo Wilson Lima reforça o padrão de gastos elevados com soluções tecnológicas enquanto as escolas continuam enfrentando falta de estrutura, resultados ruins de aprendizagem e problemas básicos de gestão.
Os valores contrastam, inclusive, com cortes em outras áreas essenciais da educação e com a crise permanente que afeta o transporte escolar, a merenda e a manutenção predial.
Comando paralelo na Seduc: quem realmente decide?
Apesar de a secretária Arlete Mendonça assinar as homologações, dentro da pasta é de conhecimento generalizado que as grandes decisões, especialmente contratações milionárias, são influenciadas por um ex-secretário de Educação, hoje ocupando cargo vitalício na Administração Pública.
Esse ex-gestor, que permaneceu com forte influência política após sua saída da Seduc, é apontado por servidores e fornecedores como o verdadeiro operador das contratações, responsável por escolher empresas prioritárias, conduzir negociações, pactuar valores, interferir em processos licitatórios, definir quem entra e quem sai da cadeia de contratos da educação.
Ao longo da gestão Wilson Lima, esse comando paralelo ganhou força e praticamente institucionalizou um sistema interno que funciona à margem da transparência pública.
Contratos milionários e resultados mínimos
O volume dos contratos homologados só amplia o debate sobre a incoerência entre gasto e resultado. Apesar dos aportes crescentes, a Seduc: amarga posições ruins no Enem; acumula denúncias e escândalos envolvendo licitações; mantém escolas sem infraestrutura mínima; enfrenta constantes crises de transporte, alimentação e segurança escolar.
Enquanto isso, milhões são canalizados para empresas de tecnologia com pouca clareza sobre entrega, indicadores, metas e impacto real na vida dos estudantes.
As duas contratações de R$ 52 milhões para a Vint Global e R$ 21,3 milhões para a XMarket, revelam o tamanho da engrenagem financeira que opera dentro da Seduc sob o governo Wilson Lima.
O que deveria ser modernização acaba se tornando mais um capítulo de uma pasta marcada por obscuridade, influência política e decisões centralizadas nas mãos de quem sequer ocupa o cargo oficialmente.
Confira os documentos:
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