Testemunha revela nome de mais um envolvido no desaparecimento de Bruno e Dom Phillips

O homem não conseguiu ver dentro do barco de Pelado, mas relatou que ele estava sozinho até encontrar Dos Santos
DA REDAÇÃO – PORTAL AM1
Publicado em 11/06/2022 20:08

Uma nova testemunha pode ajudar a Polícia Federal elucidar no caso do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Se trata de um ribeirinho conhecido na região como Dos Santos, que teria levado uma espingarda para o suspeito Pelado, que já está preso.

O homem conta que acompanhou a jornada de Bruno e Dom Phillips, do dia 3 ao dia 5 de junho, Dos Santos teria entrado no barco de Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, com uma espingarda calibre 16.

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De acordo com a testemunha, Bruno e Dom Phillips seguiam de barco entre a comunidade ribeirinha de São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte no mesmo momento em que ele fazia a viagem, que dura cerca de quatro horas. No meio do caminho, ele relatou ter sido ultrapassado pela “voadeira” (voadeira é uma embarcação movida a motor com estrutura e casco de metal, composta com motor de popa) de Bruno e Dom.

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Cerca de dois minutos depois, viu uma “voadeira” de cor verde aparecer atrás dos dois. A testemunha logo identificou o barco verde como sendo de Pelado, pois já o conhecia.

O depoente continuou seguindo viagem para Atalaia do Norte quando foi parado por Dos Santos, nas proximidades de onde o ribeirinho mora, no Lago Ipuca. Dos Santos pediu ajuda ao depoente. “Me leva ali embaixo”, teria dito.

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A testemunha levou o conhecido até um ponto do rio no qual avistaram a lancha de Pelado. Dos Santos, então, pediu para que o depoente o deixasse ali, pegou seu pequeno barco e foi remando ao encontro de Pelado. A testemunha percebeu que Dos Santos portava uma espingarda calibre 16 e uma cartucheira na cintura.

O homem não conseguiu ver dentro do barco de Pelado, mas relatou que ele estava sozinho até encontrar Dos Santos. De lá, os dois partiram para o lado oposto da testemunha, que foi para Atalaia do Norte. Quando chegou às margens do rio, já em Atalaia do Norte, no entanto, a família de Bruno o aguardava a fim de perguntar se ele sabia onde o indigenista estava. O depoente respondeu que o viu passar no rio.

Similaridades
O depoimento incluindo um novo nome na trama do desaparecimento tem elementos parecidos com o das demais testemunhas do caso. Outro relato, revelado e publicado pelo jornal O Globo na quinta-feira (9/6), aponta que Pelado carregava uma espingarda, um cinto de munições e cartuchos logo após a dupla deixar a comunidade ribeirinha São Rafael.

Pelado é conhecido por ser “muito perigoso” e havia prometido “acertar contas” e “trocar tiros” com Bruno Pereira. Amarildo está detido pela polícia. Na quinta-feira, a Polícia Federal encontrou vestígios de sangue na embarcação dele.

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Os desaparecidos
Dom Phillips é um jornalista britânico de 57 anos. Ele estava na região do Vale do Javari (AM) realizando pesquisa para um livro que escreve sobre a região da Amazônia. Dom é colaborador do jornal The Guardian e tem larga experiência na cobertura da região.

Bruno Pereira, servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio (Funai), estava de licença do órgão desde que foi exonerado, em 2019, e acompanhava Dom Phillips em um trabalho investigativo sobre pesca e extração de madeira ilegal na área.

Os dois desapareceram em 5 de junho, quando se deslocavam de barco entre a comunidade ribeirinha de São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte.

(*) Com informações do Metrópoles

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