Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Economia

‘Vale do Silício Baré’: a nova configuração do CBA após decreto

Autonomia do órgão deve facilitar escoamento de produtos já finalizados que aguardavam investimentos

Considerada um "elefante branco" entre as instituições implementadas pelo governo federal no Amazonas, o Centro de Biotecnologia do Amazonas (CBA) conquistou personalidade jurídica e tornou-se Centro de Bionegócios da Amazônia

Divulgação/Suframa

Manaus (AM) – Considerada um “elefante branco” entre as instituições implementadas pelo governo federal no Amazonas, o Centro de Biotecnologia do Amazonas (CBA) conquistou personalidade jurídica e tornou-se Centro de Bionegócios da Amazônia. Agora, o órgão poderá desenvolver, por meio de financiamento de empresas, projetos voltados ao aproveitamento das riquezas da região.

A nova configuração foi obtida por meio de decreto assinado pelo presidente Lula e pelo titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, nessa quarta-feira (3). A medida estabelece que o CBA será desvinculado da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e passa a ser gerido por uma organização social, a Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (Fuea).

Para o gestor do CBA, Fábio Calderaro, a mudança vai possibilitar que o órgão atue mais próximo dos setores que podem intensificar as cadeias da bioeconomia na região, criando matrizes econômicas alternativas à Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Isto deve propiciar o avanço para o fomento da bioeconomia como vetor econômico tão importante para complementar a atual matriz econômica da região, alicerçada na atividade fabril do Polo Industrial de Manaus”, disse.

A superação do antigo sistema, baseado exclusivamente em verba pública da União, vai facilitar a capitação de “recursos privados que contribuam para o pleno desenvolvimento de todo o potencial da bioeconomia local”, ressalta Calderaro.

Demanda histórica

Deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) saudaram a iniciativa do governo federal. “Por muitos anos, o CBA viveu na obscuridade. Um centro de relevância significativa para o homem do interior, porque a matéria-prima de pesquisa do órgão é a Amazônia. Uma espécie de Vale do Silício baré”, afirmou Rozenha (PMB), em referência à região que abriga empresas de tecnologia, como o Google e o Facebook;

O parlamentar observou que o centro, “antigo apêndice da Suframa”, já dispõe de produtos finalizados, que aguardam empresas capazes de custeá-los para produção em escala industrial. Na avaliação do deputado, o CBA pode funcionar como o elo que deve ligar a capacidade produtiva do Polo Industrial de Manaus (PIM) à economia do interior do estado.

“Fabricação de tecnologia de alta performance não gera empregos no interior. O que vai gerar emprego lá é a bioindústria, os fármacos e biocosméticos”, exemplificou.

O deputado George Lins (UB) observou que a garantia por personalidade jurídica do CBA foi uma demanda que se prolongou por mais de 20 anos. “Temos a matéria-prima para produzir cosméticos, fármacos, mas não há investimento suficiente na pesquisa. E os produtos criam o ambiente de negócios”, disse.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) sugeriu, com base na Lei de Informática, que parte dos recursos em pesquisa e desenvolvimento fornecidos pelo governo federal seja destinada ao CBA. Com a utilização de apenas 1% do fundo P & D, por exemplo, o total de investimentos deve saltar de R$ 47,6 milhões para R$ 300 milhões.

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