Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Vereadores admitem: faltam profissionais para autistas em Manaus

Parlamentares apontam falhas na fiscalização e que a população precisa cobrar mais ações e cumprimento das leis para pessoas autistas.

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(Foto: Divulgação/ Assessoria)

Manaus (AM) – No mês de junho, celebra-se o Dia Mundial do Orgulho Autista, data que surgiu no dia (18) do ano de 2005 como um marco de resistência e afirmação. No entanto, a realidade em Manaus expõe o quanto essa pauta ainda é negligenciada. Prova disso está nos poucos projetos de lei voltados para à causa autista.

O movimento revela não apenas uma demora na execução de políticas públicas em reconhecer as demandas dessa parcela da população, mas também evidencia como os direitos das pessoas autistas costumam ser tratados de maneira secundária.

A ausência histórica de propostas mais robustas e contínuas demonstra que, apesar dos avanços simbólicos, o poder público ainda precisa se comprometer, de fato, com políticas efetivas que garantam não só visibilidade, mas também dignidade, inclusão e acesso pleno aos direitos.

O Portal AM1, em entrevista exclusiva com vereadores da Câmara Municipal de Manaus, revela que o orçamento destinado às políticas públicas para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) permanece pouco transparente, mal executado e insuficiente diante das demandas crescentes.

Educação Inclusiva: Leis sem aplicação

Apesar da existência de leis municipais que garantem a presença de mediadores escolares para crianças autistas, a efetividade dessas normas é praticamente nula. O vereador Paulo Tyrone (PMB) revelou ao Portal AM1, que o poder executivo municipal ignora a urgência da capacitação de profissionais e a contratação desses mediadores, obrigando pais e mães a abandonarem empregos para acompanharem seus filhos nas salas de aula.

“É uma situação absurda, muitos acabam perdendo benefícios sociais, como o Bolsa Família, porque não há acompanhamento adequado nas escolas,” denuncia.

O vereador destacou também que, apesar de existir a celebração do Dia do Orgulho Autista, as famílias atípicas em Manaus não têm muitos motivos para comemorar nesta data, devido à falta de estrutura no atendimento às pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista).

O parlamentar criticou a falta de fiscalização, que ocorre principalmente pela ausência de um centro especializado para atender as crianças autistas na capital, mencionando que a promessa de construção da Cidade do Autista, feita na campanha do atual prefeito, ainda não saiu do papel, sem qualquer andamento em licitação, contrato ou início das obras.

“Há a previsão de construção da Casa do Autista, mas eu confesso a você que foi uma proposta de campanha do prefeito que ainda não se tornou realidade, não tem licitação, não tem assinatura de contrato, não tem pedra inaugural, não tem nada”. Afirma Tyrone.

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Tyrone destacou que, apesar de existirem vereadores comprometidos com a causa e de algumas leis já terem sido aprovadas, ainda há uma grande dificuldade na prática dessas políticas. Solicitou ainda que a Câmara Municipal atue de forma mais firme na fiscalização e na cobrança, para garantir que essas medidas sejam, de fato, implementadas e beneficiem a população.

Já o vereador Eduardo Assis (Avante) informou que, até o momento, não tem conhecimento de projetos específicos em andamento voltados para a capacitação dos professores da rede municipal sobre o transtorno do espectro autista.

No entanto, ressaltou que, enquanto atuava como vice-presidente da Comissão de Educação na legislatura anterior, discutia frequentemente a necessidade de avançar tanto na contratação quanto na qualificação dos profissionais que atuam no atendimento a alunos autistas, como os antigos mediadores.

“a gente precisa avançar em mais contratações e também na capacitação dos profissionais”, destacou o vereador.

Assis destacou, ainda, que há uma preocupação do Executivo Municipal em criar a “Cidade do Autista”, com o objetivo de ampliar e descentralizar os serviços de atendimento, hoje concentrados em poucos espaços.

Câmara Municipal: Fiscalização limitada e faltam pressões reais

O vereador Mitoso (MDB) ao falar ao Portal AM1, reconheceu que o Legislativo tem papel fundamental na criação de leis, mas alertou para as limitações na fiscalização das políticas públicas, especialmente diante da falta de participação popular e da dificuldade em monitorar as ações municipais no dia a dia.

Reforçou ainda que a população precisa cobrar mais seus representantes, mas o que se percebe é pouca pressão e poucos resultados efetivos.

“a sociedade também precisa buscar aqui a Câmara Municipal de Manaus para que a gente possa também conhecer, porque lá na comunidade, lá no bairro tal, X, Y, às vezes nós não conseguimos enxergar, e aí é por isso que é importante que a gente fala, a casa é do povo, e é o povo que tem que vir aqui”. reforça o vereador.

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(Foto: Gabriel Alves / Portal AM1)

Mitoso afirmou estar sempre aberto ao diálogo com as famílias de pessoas autistas e reforçou que tanto ele quanto os demais vereadores da Câmara estão atentos e comprometidos em buscar melhorias para essa população.

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