Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Vereadores de Manaus usam mandato como trampolim para 2026

A mudança de cargos reforça a ideia de que o Legislativo municipal serve de passagem para voos políticos mais altos.

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(Foto: Mauro Pereira/ Dicom CMM)

Manaus (AM) – A disputa pelas eleições de 2026 já começou a movimentar a Câmara Municipal de Manaus (CMM). Pelo menos sete vereadores articulam a saída antecipada do Legislativo municipal para concorrer a cargos maiores no próximo pleito, apostando no chamado “trampolim político”.

Entre os nomes já confirmados como pré-candidatos a deputado estadual estão Rodrigo Sá, Rodrigo Guedes, Capitão Carpê, David Reis e João Paulo Janjão, alguns  já anunciaram oficialmente a pré-candidatura.

Além deles, os vereadores Coronel Rosses e Marco Castilhos, também são cotados para disputar, embora ainda não tenham definido para quais cargos devem concorrer.

O vereador Zé Ricardo já começa a articular seu retorno a Câmara dos Deputados e se prepara para lançar sua candidatura como deputado federal em 2026.

Já o Sargento Salazar já sinalizou seu interessem cargos como deputado estadual, federal e até senador, mas não oficializou qual cargo pretende disputar.

Recall e holofote

Para o cientista político Helso do Carmo, o movimento não é novidade e faz parte de uma estratégia recorrente no cenário eleitoral. Segundo ele, vereadores eleitos recentemente carregam um fator importante: a lembrança do eleitorado.

“Os vereadores que foram eleitos e tomaram posse no começo desse ano têm o que chamamos de *recall*, uma lembrança do eleitorado. Muitas vezes, o próprio partido utiliza esse vereador como candidato para aumentar o quociente eleitoral. E temos vários casos de pessoas que saíram da Câmara de Manaus e galgaram postos mais altos, sendo muito bem votados posteriormente”, explicou.

Ainda de acordo com Helso, a visibilidade adquirida na CMM é usada como plataforma para voos mais altos.

“Os políticos aproveitam esse holofote que tiveram na Câmara para tentar outros cargos; deputado, federal, senador, até governador. E não será diferente em 2026. Existe a ambição individual e também a chamada dos partidos para que seus votos somem ao quociente partidário”, acrescentou.

Estratégia das chapas proporcionais

Já o cientista político, Afrânio Soares, ressalta que a lógica da disputa proporcional ajuda a explicar por que vereadores entram nessas composições.

“A maioria entra para compor chapa. A eleição para deputado estadual e federal é proporcional, ou seja, depende da somatória dos votos de todos os candidatos da mesma legenda. Para deputado estadual, por exemplo, cada partido lança 25 candidatos para disputar 24 vagas mais uma. Mesmo que alguns não consigam votos suficientes para se eleger, eles trazem 5, 10 mil votos que ajudam a puxar os demais da chapa”, disse.

Segundo ele, essa engrenagem faz dos vereadores peças estratégicas.

“Os partidos precisam de candidatos competitivos ou, pelo menos, bons de voto, mesmo que não se elejam, porque eles fortalecem o desempenho da chapa inteira”, completou.

Mandatos inacabados

A movimentação, no entanto, levanta questionamentos entre os eleitores, já que os vereadores que assumiram em 2025 podem deixar seus mandatos pela metade em busca de um novo cargo. A prática, embora legal, reacende o debate sobre o compromisso dos parlamentares com os votos que os colocaram na Câmara e reforça a ideia de que o Legislativo municipal serve de passagem para voos políticos mais altos.

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