(Foto: Éder França)
Manaus (AM) – Em mais um episódio que reforça o distanciamento entre a rotina dos representantes e as demandas da população, os vereadores de Manaus protagonizaram novamente uma manobra para estender o próprio feriado. A última sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus (CMM) aconteceu no dia 22 de outubro, e o retorno ao trabalho está previsto apenas para 3 de novembro, totalizando 12 dias sem sessões.
A justificativa oficial está amparada em uma combinação de feriados e pontos facultativos. O aniversário de Manaus, comemorado no dia 24 de outubro, é feriado municipal. Em seguida, está o ponto facultativo estadual (27) e o Dia do Servidor Público (28). No entanto, pela regra, o expediente legislativo deveria ser retomado logo após esses dias, o que não irá acontecer.
Isso porque o presidente da Câmara, David Reis (Avante), determinou que a sessão da quarta-feira (28) fosse “compensada” no início do mês, permitindo que o Legislativo prolongasse a folga sem prejuízo no calendário oficial de sessões. A prática, embora tecnicamente permitida, é uma forma de driblar o compromisso público e preservar privilégios.
Enquanto isso, temas urgentes seguem sem debate: problemas crônicos de mobilidade urbana, abandono de espaços públicos e vários episódios de alagações por fortes chuvas na capital.
A atitude não é isolada. O expediente “esticado” em feriados prolongados tornou-se rotina na Câmara Municipal de Manaus, com sessões esvaziadas ou remarcadas sempre que há possibilidade de emendar feriados. O comportamento reforça a percepção de que o Legislativo manauara atua de forma desconectada das necessidades da cidade.
Salários diferenciados
Com salários superiores a R$ 15 mil mensais, além de verbas de gabinete e benefícios, os parlamentares manauaras seguem acumulando privilégios e pouca presença efetiva em plenário. O recesso informal de outubro expõe novamente um Legislativo que, em vez de fiscalizar o Executivo e propor soluções, prioriza o próprio descanso.
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