(Foto: Reprodução/ Redes Sociais e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – O pré-candidato ao Senado pelo Partido Liberal (PL), deputado federal Alberto Neto, afirmou nesta terça-feira (4) que a camisa da Seleção Brasileira é um símbolo da direita política no país.
A declaração, feita em vídeo publicado nas redes sociais para convocar apoiadores à convenção do partido, volta a colocar no centro do debate a disputa em torno de um dos principais símbolos nacionais, contestada por brasileiros que defendem que a camisa representa o país e não um grupo político.
Na gravação, Alberto Neto aparece vestindo a camisa da Seleção Brasileira e afirma que quem não adota o uniforme como símbolo da direita acaba sendo visto como integrante da chamada “direita melancia”, expressão usada por conservadores para se referir a pessoas que se apresentam como de direita, mas que, segundo essa crítica, defendem pautas associadas à esquerda.
“Quem não veste a camisa do Brasil acaba sendo chamado de direita melancia”, afirma o deputado no vídeo.
A declaração ocorre em um contexto em que o uso da camisa da Seleção permanece alvo de disputas políticas. Embora o uniforme seja historicamente um símbolo esportivo e nacional, passou a ser associado a manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a grupos de direita, especialmente a partir das mobilizações iniciadas em 2014. Desde então, o verde e amarelo deixaram de ser vistos apenas como cores da Seleção e passaram a integrar atos políticos, campanhas eleitorais e manifestações de rua.
Essa associação, no entanto, nunca foi consenso. Parte da população contesta a vinculação da camisa a qualquer corrente ideológica e defende que o uniforme pertence a todos os brasileiros, independentemente de posicionamentos políticos.
Nos últimos anos, diferentes movimentos também buscaram resgatar o uso das cores nacionais sem identificação partidária, evidenciando a disputa pelo significado de um símbolo que, originalmente, representa a seleção nacional de futebol.
Ao convocar apoiadores para a convenção do PL, Alberto Neto reforçou esse vínculo entre a camisa da Seleção e a identidade política da direita, discurso que acompanha parte da estratégia de comunicação do partido e de lideranças bolsonaristas. A fala também reacende uma discussão que permanece presente no debate público: até que ponto símbolos nacionais podem ser apropriados por grupos políticos sem provocar resistência de quem defende seu caráter suprapartidário.
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