Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Vereadores miram ‘holofotes’ ao entrar em debate federal sobre a BR-319

No caso da BR-319, uma rodovia federal, Helso destaca que o debate não cabe à Câmara Municipal.

(Foto: Divulgação /Assessoria CMM)

Manaus (AM) – A repercussão entre vereadores de Manaus sobre a suspensão das licitações da BR-319 revela mais um movimento político do que institucional. Essa é a avaliação do analista político Helso Ribeiro, que critica a atuação de parlamentares municipais em um tema fora de suas atribuições legais.

Para ele, embora seja legítimo que qualquer cidadão se manifeste sobre decisões da Justiça ou obras de impacto nacional, o mesmo não se aplica ao exercício do mandato parlamentar quando ultrapassa suas competências. No caso da BR-319, uma rodovia federal, Helso destaca que o debate não cabe à Câmara Municipal.

“Os vereadores têm competências específicas, e está longe da competência de qualquer câmara de vereador tratar de estrada federal”, afirma.

Na análise do especialista, o engajamento de parte dos vereadores no tema tem motivação política, especialmente diante da proximidade das eleições. Ele aponta que muitos parlamentares devem disputar outros cargos, o que impulsiona a busca por maior exposição pública.

“Muitos querem protagonismo. Em vez de focar na fiscalização do prefeito e dos secretários ou propor medidas dentro da sua competência, acabam entrando em assuntos que não lhes dizem respeito, mas que dão visibilidade”, avalia.

Helso também critica o que considera um desvio de função do Legislativo municipal. Segundo ele, ao priorizar debates de alcance federal, vereadores deixam de cumprir papéis essenciais, como fiscalizar o Executivo local e apresentar propostas voltadas à realidade da cidade.

A leitura do analista sugere que o episódio vai além da BR-319: trata-se de um padrão recorrente em períodos pré-eleitorais, em que temas de grande repercussão são utilizados como vitrine política, ainda que fora do escopo de atuação dos agentes públicos envolvidos.

 

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