Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Wilson Lima é cobrado por descaso com merenda escolar após anúncio de programa para 2026

Falta de proteínas, ausência de livros didáticos e adoecimento dos professores escancaram o colapso da educação pública no estado.

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(Foto: Antonio Lima/ Secom e Divulgação/ Secom)

Manaus (AM) – O governador Wilson Lima (UB), anunciou a abertura do credenciamento para o Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme), que pretende envolver produtores rurais, cooperativas e associações no fornecimento de alimentos para escolas da rede estadual a partir de 2026. Após a divulgação, o anúncio recebeu comentários de internautas que relataram problemas na merenda atualmente servida aos estudantes, como a falta de proteínas nas refeições.

Conforme as reclamações publicadas nas redes sociais do governador, alunos de diversas escolas da rede estadual estariam recebendo apenas mingau como refeição, sem o fornecimento de carne, frango ou ovos desde agosto deste ano.

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Além da alimentação, a ausência de livros didáticos também foi mencionada entre as queixas feitas ao chefe do Executivo estadual.

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Denúncia sobre a precariedade na educação pública do Amazonas

A coordenadora geral do Sindicato de Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical), professora Alessandra Sousa, fez um forte desabafo ao Portal AM1 sobre a situação da educação pública no Amazonas. Segundo ela, as escolas estaduais enfrentam graves problemas de infraestrutura e falta de recursos, afetando diretamente alunos e professores.

De acordo com Alessandra, a merenda escolar tem se resumido a mingau, o que preocupa, já que muitas crianças têm na escola a única refeição do dia.

“Estão se alimentando só de mingau, quando poderiam estar recebendo algo mais nutritivo. Para onde está indo esse dinheiro? Para onde está indo esse recurso?”, questionou.

Além da merenda precária, a ausência de livros didáticos e materiais pedagógicos também foi alvo de críticas. A professora, que leciona Matemática e atua há mais de duas décadas na rede estadual, relatou que o ensino tem sido prejudicado, principalmente em um ano de avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). De acordo com ela, a situação é inédita em seus 21 anos de carreira.

“É ano de Saeb, tenho turma de nono ano e não tenho livro para trabalhar com meus alunos”, lamentou.

Alessandra destacou que, apesar das dificuldades, os professores continuam se esforçando para manter a qualidade do ensino, muitas vezes arcando com custos do próprio bolso. No entanto, segundo ela, esse esforço “não é valorizado, não é reconhecido, não é divulgado”.

A sindicalista criticou ainda a falta de políticas públicas que valorizem o magistério e denunciou o adoecimento da categoria, consequência da sobrecarga e da falta de reconhecimento profissional.

“Temos uma categoria adoecida, porque não há valorização desse profissional em sala de aula”, afirmou.

Por fim, Alessandra fez um convite à sociedade para conhecer de perto a realidade das escolas. “Visitem as escolas, vejam como estão funcionando as escolas do estado”, pediu, em tom de apelo.

Entrevista exclusiva ao Portal AM1:

A luta dos educadores

Em exclusividade ao Portal AM1, a professora Helma Sampaio, reafirmou o compromisso da categoria em manter a mobilização dos educadores da rede estadual do Amazonas diante do descumprimento de direitos e da falta de valorização profissional. Em sua fala, ela destacou que os professores da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) continuam organizados e determinados a lutar pelo atendimento de suas pautas históricas.

Entre as principais reivindicações estão a atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), o reajuste do auxílio-alimentação, além de concursos públicos e eleições diretas para gestores escolares.

“Temos uma pauta muito extensa, que trata não apenas das condições salariais, mas também das condições de trabalho. Vamos continuar organizando a nossa categoria — a luta não para”, afirmou.

Helma lamentou que, todos os anos, os professores precisam ir às ruas garantir direitos já previstos em lei, como, por exemplo, a data-base salarial.

“A data-base é lei, mas eles não cumprem”, denunciou.

A professora também criticou o governo do estado, por usar o reajuste salarial de forma “eleitoreira”. Segundo ela, o aumento anunciado é “ínfimo” e contempla apenas a data-base de 2025, sem incluir os mais de 13% referentes aos anos anteriores que ainda não foram pagos.

“Nós sabemos que isso é uma jogada eleitoral do governador Wilson Lima. Ele chega agora, praticamente no final do ano, querendo nos humilhar com esse ínfimo reajuste”, afirmou.

Helma reforçou que o movimento dos educadores não vai recuar. “Nós vamos continuar insistindo, organizando os professores e professoras da Seduc, e continuar buscando que as nossas pautas sejam atendidas”, declarou a professora.

Confira a entrevista exclusiva:

Contextualização

O Programa de Regionalização da Merenda Escolar foi criado para incentivar o fornecimento de alimentos produzidos por agricultores locais, cooperativas e associações rurais, visando fortalecer a economia do interior e garantir refeições mais frescas e nutritivas nas escolas públicas.

Apesar da proposta, o anúncio foi recebido com desconfiança por parte da comunidade escolar, que reclama da falta de resultados concretos nas ações do governo relacionadas à educação básica e à alimentação dos estudantes.

Anúncio do governador:

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