(Foto: Alex Pazuello/Secom)
Manaus (AM) – Mesmo com o Amazonas em último lugar no Enem 2025, o governo Wilson Lima (União Brasil) destinou R$ 17.860.723,95 à empresa B.C. Sobrinho Ltda. entre 2021 e 2025 , segundo relatórios oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM).
A empresa, pertencente aos empresários Bruno César Sobrinho e Carlos André Sobrinho, tornou-se uma das mais bem pagas pelo Estado, com contratos que envolvem desde manutenção de áreas verdes até a organização de eventos esportivos e promocionais ligados à Secretaria de Educação.
A Seduc-AM (Secretaria de Educação e Desporto Escolar) , atualmente comandada por Arlete Mendonça e anteriormente por Kuka Chaves , lidera os pagamentos: foram R$ 11.867.401,25 apenas nessa pasta. Os repasses cresceram de forma expressiva a partir de 2024, coincidindo com o período em que a Seduc passou a concentrar gastos milionários com os Jogos Escolares do Amazonas (JEA’s), Paralimpíadas Escolares e Jogos da Juventude — eventos com forte apelo político e pouca relevância pedagógica.
Pagamentos à BC Sobrinho (2021–2025):
- Ano | Órgão / Secretaria | Valor Total Pago (R$)
- 2021 | FVS-AM, FAAR, FEI | 2.183.370,60
- 2022 | CBMAM, FVS-AM, FAAR, FEI | 1.738.251,95
- 2023 | FAAR/SEDEL | 572.091,15
- 2024 | Seduc-AM, FEAS/SEAS | 5.142.617,53
- 2025 | Seduc-AM | 8.224.392,72
- Total Geral | R$ 17.860.723,95
Quem mais pagou à empresa
- Seduc-AM — R$ 11.867.401,25
- Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) — R$2.378.782,80
- Fundação Amazonas de Alto Rendimento (FAAR/SEDEL) — R$ 1.776.248,90
- Fundo Estadual de Assistência Social (FEAS/SEAS) — R$ 1.499.609,00
- Fundação Estadual do Índio (FEI) — R$ 335.520,00
- Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) — R$ 3.162,00
Os dados revelam que a empresa recebeu valores de órgãos diferentes, o que reforça seu trânsito político dentro da administração Wilson Lima. A BC Sobrinho mantém contratos simultâneos com a educação, esporte, saúde e assistência social.
Eventos esportivos e o colapso pedagógico
Os Jogos Escolares do Amazonas (JEA’s) e eventos correlatos viraram carro-chefe dos contratos da BC Sobrinho.
Entre 2024 e 2025, a empresa recebeu mais de R$ 6 milhões apenas para operacionalizar seletivas, fornecer materiais gráficos e personalizados e contratar mão de obra temporária.
A mesma Seduc que promoveu os jogos também protagonizou o pior resultado educacional do país: o Amazonas ficou em último lugar no Enem 2025, com queda nas médias do Saeb e aumento da evasão escolar.
A contradição levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) a instaurar uma inspeção extraordinária nos 100 maiores contratos da Seduc, após constatar que os altos investimentos da secretaria não se refletem em melhorias na aprendizagem.
Enquanto o governo anuncia cortes e decreta limitação de empenhos, os repasses para empresas como a BC Sobrinho seguem crescendo. O padrão se repete em outras secretarias: a FAAR/SEDEL e a FVS-AM também aparecem como pagadoras constantes, num ciclo de favorecimento empresarial que ignora o baixo retorno social dos contratos.
Em 2025, mesmo após o decreto de contenção orçamentária, a Seduc empenhou e pagou R$ 8,2 milhões à empresa — o maior volume da série histórica. Na prática, os cortes de Wilson Lima atingem servidores e escolas, mas poupam fornecedores alinhados politicamente.
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