Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Política

Apoio das igrejas a candidatos pode ser decisivo nas eleições, avalia cientista político

'Em uma eleição extremamente disputada e acirrada, todo apoio é importante, em especial o das igrejas', disse o cientista.

O tema religioso foi algo que ficou evidente durante campanha política entre diversos candidatos este ano. Quando se trata de conseguir votos, Deus sempre é lembrado. Não é à toa que, quando chega a época de campanha, políticos procuram igrejas e templos para serem abençoados. Não somente isso, procuram os votos dos fiéis para compor o seu eleitorado.

De acordo com o cientista político Carlos Santiago, as instituições religiosas têm um grande poder e, por isso, ocasionam um forte impacto no resultado das eleições.

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“Essas igrejas que tomam decisões de apoiar candidatura acabam tendo um impacto nos resultados das eleições. Em uma eleição extremamente disputada e acirrada, todo apoio é importante, em especial das igrejas, porque seus dirigentes conseguem capitalizar seguidores para votar nos seus candidatos”, disse o cientista.

Uma visão nacional

Candidatos à Presidência da República que aparecem com maior porcentagem na intenção de votos – Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula Da Silva (PT) mostram a diferença gritante entre direita e esquerda quando o assunto é a fé.

Bolsonaro usa discursos como: “Agradeço a Deus por essa oportunidade, pela minha segunda vida e pela missão de ser presidente da República”. Por outro lado, Lula apesar de ser católico, afirma: “A religião é para a gente cuidar da fé, da nossa espiritualidade, não para fazer política”.

No Rio de Janeiro e em Juiz de Fora (MG), o atual presidente da República e sua esposa, Michelle Bolsonaro, focaram no eleitorado evangélico. Inclusive, a primeira dama chegou a dizer que o Planalto estava consagrado a “demônios”.

Assim como em 2018, o candidato à reeleição pelo Partido Liberal parece apostar no apoio evangélico. De acordo com Datafolha de agosto, no eleitorado evangélico, Bolsonaro ganha por 49% a 32%. Os números gerais são o inverso: 47% para Lula e 32% para o postulante do PL.

Foto: Ricardo Stuckert

Mesmo com um forte discurso de esquerdista, em Belo Horizonte (MG), Lula tranquilizou os fortemente religiosos e declarou respeitar a Constituição e a Bíblia. No comício que aconteceu no Vale do Anhangabaú (SP), Lula afirmou que vai defender um Estado Laico.

“Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, defendo o Estado Laico. O Estado não tem que ter religião. Todas as religiões têm que ser defendidas pelo Estado. Mas também quero dizer: as igrejas não têm que ter partido político, porque as igrejas têm que cuidar da fé e da espiritualidade das pessoas, e não cuidar da candidatura de falsos profetas ou de fariseus, que estão enganando esse povo o dia inteiro!”, declarou.

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O candidato ainda deixou claro em seu discurso que não precisa de padre ou pastou para ser o elo entre ele e Deus. “Eu não preciso de padre ou de pastor. Eu posso me trancar no meu quarto e conversar com Deus, quantas horas eu quiser, sem pedir favor a ninguém!”, disse o petista.

No Amazonas

O Portal AM1 entrou em contato com candidatos do Amazonas sobre suas opiniões relacionadas a usar religião como tema de campanha política.

Ainda tentando ser candidato ao Senado, Chico Preto (Avante) informou que a questão da religião, na visão dele, serve para manter o eleitor em uma postura de firmeza em relação à tentativa de compras de voto.

“Sou cristão por convicção, e respeito as demais religiões. O propósito da ação das igrejas deve ser de impactar, antes das urnas, o caráter dos seres humanos. Cristãos que não vendem ou trocam suas convicções ajudam a melhorar a nossa tão desacreditada política. O cristão se identifica pelas atitudes, mais que por palavras.”

Diferente do candidato Chico Preto, o postulante a deputado estadual pelo Partido do Trabalhador (PT), Francisco Praciano, disse que a fé é importante, mas discorda do seu uso no meio político.

“A fé pode ser um importante instrumento de educação política, mas discordo visceralmente do uso político-partidário das igrejas por candidatos, principalmente em períodos eleitorais”, avaliou o candidato segundo a assessoria.