Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Carlos Almeida: ex-vice-governador do AM entra na mira do TCE

Corte de Contas deu prazo de 15 dias para que Carlos Almeida apresentasse documentos que justifiquem contratos denunciados

Carlos Almeida Filho

Carlos Almeida deixou o Governo no final de 2022, com o término do primeiro mandato de Wilson Lima e segue carreira na Defensoria Pública (Foto: Arquivo/SES)

O ex-vice governador do Amazonas e defensor público Carlos Alberto Souza de Almeida Filho entrou na mira do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) em uma representação que apura os contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES, ex-Susam) e o Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (ICEA) quando esteve à frente da pasta, entre janeiro a março de 2019.

Após esse período, Carlos Alberto Souza de Almeida Filho foi chefe da Casa Civil de abril de 2019 a maio de 2020.

Ele foi notificado na última sexta-feira (27) pela Diretoria de Controle Externo de Administração Direta (Dicad) da Corte de Contas e têm 15 dias para ir ao TCE-AM apresentar documentos e/ou justificativas a representação ingressada pelo procurador de contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça em 2017.

Além do ex-vice-governador, também foram notificados os ex-secretários Marcellus José Barroso Campêlo, Silvio Romano Benjamin Júnior e Pedro Elias de Souza.

De acordo com a representação, o contrato entre a SES (ex-Susam) foi firmado em 2016 e tinha, até meados de 2017, um custo de R$ 50,5 milhões – por ano – por cirurgias e procedimentos médicos pré e pós-cirúrgicos em diversas unidades hospitalares no Estado.

A representação iniciou uma denúncia feita por um cidadão, em 2016, que apontou pagamentos irregulares feitos pela então Susam ao ICEA por serviços supostamente faturados, mas não realizados.

Para corroborar a denúncia, ele citou o caso do próprio filho, que acabou morrendo no Pronto-Socorro da Zona Oeste após ser submetido a uma série de procedimentos pelo ICEA.

Ele informou ao TCE-AM e ao MPC, na época, que o relatório de despesas e procedimentos do paciente registra a realização de 10 cirurgias. Já no laudo médico constam apenas quatro cirurgias e sete procedimentos. Em nota técnica emitida pelo hospital, na época, foram apontadas quatro cirurgias e 15 procedimentos.

“Transparecem indícios de descontrole e relativa ineficácia das atividades de fiscalização administrativa da execução do contrato”, afirmou o procurador de contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça, na representação datada de 29 de junho de 2017.

Investigado

Em 2021, a promotora Wandete de Oliveira Netto do Ministério Público do Estado (MPE-AM) instaurou inquérito civil para investigar o vice-governador do Amazonas, Carlos Alberto Souza de Almeida, no exercício de secretário da Saúde.

O inquérito apura irregularidades, relativas a pagamentos indevidos, em 2019 e 2020, na execução do Contrato de Gestão nº 001/2019, firmado entre o Estado do Amazonas e o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH).

O INDSH era o responsável pelo gerenciamento do Complexo Hospitalar Zona Norte (Delphina Aziz) e pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Salles.

No mesmo período, ele virou réu em uma ação de improbidade administrativa na 3 Vara da Justiça Federal no Amazonas pelos mesmos contratos firmados entre a então Susam e o INDSH.

Ruptura e afastamento do Governo

O defensor público Carlos Alberto Souza de Almeida Filho foi eleito vice-governador do Amazonas em 2018 para o mandato de 2019 a 2022 ao lado do governador Wilson Lima.

Logo do início do mandato, em 2 de janeiro de 2019, ele foi nomeado titular da então Susam e, com o avanço da pandemia da Covid-19, deixou a pasta para assumir a Casa Civil do Estado – órgão político e de articulação entre o governador, as demais secretárias, parlamentares e agentes políticos.

Em maio de 2020, após o caos que assolou o Amazonas durante o pandemia, o então vice-governador emitiu uma carta pública na qual afirmava, entre outras coisas, “remar em sentido oposto”, e anunciou sua exoneração do cargo de secretário da Casa Civil, passando então a ficar apenas na vice-governadoria, em uma atuação sem destaque e/ou relevância ao longo do mandato.

Ele deixou o Governo no final de 2022, com o término do primeiro mandato de Wilson Lima e segue carreira na Defensoria Pública do Estado (DPE).

LEIA MAIS: