Autoridades debateram prevenção de desastres naturais com a sociedade me geral (Foto: Antônio Mendes/Portal AM1)
Manaus (AM) – Um encontro nesta sexta-feira (28) reuniu, no auditório do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), representantes de órgãos de prevenção e controle para discutir políticas públicas voltadas à defesa civil e prevenção de desastres naturais, com a participação líderes comunitários, estudantes, servidores públicos e sociedade em geral.
Ocupações irregulares e os riscos à natureza e ao homem foram temas da mesa redonda “Crise Climática e Prevenção de Desastres no Amazonas”, promovida pelo Ministério Público de Contas (MPC-AM).
A mesa redonda tem como propósito abordar formas de evitar tragédias ocasionadas pelos efeitos da crise climática e discutir o impacto dessas mudanças na região junto aos representantes do poder público.
“Nós, enquanto representantes do poder público, precisamos dar respostas aos cidadãos sobre os perigos que correm e sobre a melhor forma para que esses tipos de tragédias deixem de ocorrer, portanto, a roda de conversa servirá, justamente, para que a sociedade possa ouvir diretamente de seus representantes quais medidas estão sendo tomadas visando à prevenção a desastres e quais melhores métodos de ação durante um evento trágico”, destacou o idealizador do evento, o procurador de contas Ruy Marcelo.
Ocupações irregulares e descaso
Para o secretário Municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Sérgio Fontes, o debate das questões climáticas veio na hora mais crítica. “Hoje, verificamos chuvas muito mais intensas, reações da natureza que não tínhamos antes e precisamos nos preparar para elas, para que a gente possa minimizar os efeitos de anos de descaso”, disse.
O exemplo mais recorrente de descaso, citado na mesa redonda, foi o ocorrido na Comunidade Pingo d’Água, no bairro Jorge Teixeira, zona leste de Manaus, onde na noite de 12 de março mais de 70 casas foram engolidas num desabamento de terra e oito pessoas vieram a óbito.
De acordo com Gladiston Alves da Silva, secretário executivo de Proteção e Defesa Civil da Secretaria Municipal De Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), a comunidade já era conhecida e traçada como área de risco. “A gente já apontava que, ali, não poderia haver habitações por ser uma área extremamente complexa. O deslizamento de 12 de março não era uma coisa incomum, era esperado ocorrer, como é esperado em vários outros lugares”, contou Silva.
O secretário aproveitou para ressaltar a importância de se procurar as autoridades antes que as ocupações aconteçam e, se não for possível, alertar a Defesa Civil sobre ocorrências em andamento, como as fortes chuvas e os riscos destas.

“A comunidade Pingo d’Água não fez qualquer registro de ocorrência na nossa Central 199 em mais de 14 horas de chuva. Quando recebemos as informações do deslizamento, as mortes já haviam ocorrido; por isso, a importância da denúncia. Se você tem informação sobre invasão de área de risco, comunique a Defesa Civil, abra uma ocorrência na nossa Central para não deixarmos que se propaguem as construções, porque, no início, até a Justiça está do nosso lado para conseguirmos retirar essas habitações. Depois, fica muito mais difícil de agir em qualquer retirada”, afirma.
O que é risco e medida preventiva
Definir de forma didática o que é risco e o que pode ser tomado como medida preventiva para desastres naturais, certamente, pode mitigar os danos e perdas materiais e humanas, explicou o secretário substituto da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wesley de Almeida Felinto.
Para atingir mais facilmente o público presente, que era em sua maioria composto por estudantes, Felinto abordou o tema dando um conceito técnico de desastre: evento adverso natural ou provocado pelo homem, sobre um ambiente vulnerável, causando danos materiais, ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais, e usando como exemplo os deslizamentos na comunidade Pingo D’Água.
“É fundamental que a gente tenha essa percepção do risco, do que é desastre. Esse conceito podemos trazer para nossa realidade, do que aconteceu agora no mês de março, com a perda de oito vidas no deslizamento”, encerrou a autoridade.
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