(Fotos: Reprodução/Freepik/Acervo pessoal)
Manaus (AM) – Com o advento da tecnologia, os ataques cibernéticos se tornaram cada vez mais evidentes no Brasil, principalmente com a popularização da Internet, onde os criminosos aproveitam para difamar a imagem de alguém ou para roubar os dados pessoais para fazer algum tipo de transação digital criminosa.
Pensando em como evitar esse tipo de crime, especialmente os direcionados à área financeira, o Portal AM1 ouviu o advogado Aldo Evangelista, especialista em direito digital, que trouxe orientações para evitar fraude digital.
A princípio, conforme o especialista, é importante saber a diferença entre “hacker” e “cracker”, dois termos que podem ser confundidos.
Hackers, geralmente, têm a intenção de explorar sistemas, redes e softwares para identificar falhas de segurança e aprimorá-los. Eles podem trabalhar de maneira ética e legal, ajudando a melhorar a segurança cibernética. Mas os crackers têm intenções maliciosas e buscam explorar vulnerabilidades para ganho pessoal, roubar informações ou cometer fraudes. Suas atividades são ilegais e antiéticas.
Qual desses costuma invadir contas bancárias?
Conforme o especialista, os crackers são os que geralmente invadem contas bancárias, mas dificilmente isso acontecerá, por isso, utilizam alguns métodos para conseguir os dados pessoais das vítimas, que não percebem de imediato o perigo que estão correndo.
“Primeiro, as pessoas não percebem e abrem qualquer link, seja em algo mensageiro ou em algum e-mail e, às vezes, esse link vem carregado de malware ou vírus e, às vezes, esse vírus é instalado no seu dispositivo informático; seja ele no celular, smartphone ou tablet e, através, disso abre-se portas para que esses crackers possam invadir o seu dispositivo e aí, sim, vão conseguir obter as informações que você tem no seu aparelho. E obtendo essas informações, que são justamente a conta bancária, a senha”, frisa.
Quais são os sinais de que uma conta bancária foi ‘hackeada’?
Ainda de acordo com Evangelista, outra forma que não é percebida de imediato pelas vítimas é que, por meio de links falsos, a vítima não enxerga que não está acessando a conta do banco, pois os criminosos digitais têm a capacidade de simular o site, a interface e o audiovisual da instituição bancária para deixar tudo o mais real possível.
Outra estratégia utilizada pelos criminosos é a ligação telefônica para “avisar” ao cliente que alguma compra foi feita em seu cartão, e a partir daí, se a vítima não souber identificar o golpe, esta vai ficar no prejuízo.
“E eles ainda têm a capacidade de convencer as pessoas de que o dinheiro que elas têm na conta, precisam transferir para uma conta que eles estão dando, que é justamente a conta deles. E as pessoas acabam acreditando e transferem”.
Outra situação é quando a vítima tem o celular roubado ou furtado, ou leva o aparelho até uma assistência técnica para fazer uma correção no sistema, por exemplo, e a depender do profissional, os dados podem ser roubados ou não.
Como evitar?
Aldo Evangelista afirma que é de suma importância sempre usar softwares originais, sempre o atualizar com anti-vírus e VPN para criar camadas de proteção para a conta bancária, apesar de não ser 100% segura, já é um ponto positivo para proteger os dados e as finanças.
A orientação do especialista é sempre desconfiar de tudo, não abrir qualquer link que possa chegar a aplicativos de mensagens, além de não atender ligações telefônicas, pois nenhum banco entra em contato com o cliente via chamada telefônica.
E, se porventura, além de todos os cuidados sugeridos, ainda acontecer a fraude digital, a vítima deve ligar para o banco, anotar tudo o que foi dito na ligação, pois pode precisar dessas informações mais tarde, e formalizar denúncia por meio de boletim de ocorrência. Em seguida, ir à sua agência bancária em posse do boletim de ocorrência para abrir um procedimento de análise.
“Se for uma fintec, conversar com ele [com o banco] de forma on-line para encaminhar esse boletim de ocorrência, porque eles são obrigados a abrir procedimento de análise, principalmente, quando a maioria dos fraudadores utiliza o Pix, por ser uma transferência mais rápida. Em relação ao Pix, foi lançado o que é chamado de MED, o Mecanismo Especial de Devolução, onde o banco tem sete dias para dar uma resposta. Confirmando que o cliente foi vítima de fraude, eles têm a obrigação de devolver o valor para a vítima, além de que vai ficar registrada no Banco Central a conta bancária de quem recebeu os valores desses criminosos”, explica Evangelista.
Mas é importante estar atento e pedir essa análise, porque a maioria dos bancos omite esse direito do cliente, informou Aldo Evangelista ao Portal AM1. No entanto, em alguns casos, os bancos entendem que o cliente deu causa para que o crime fraudulento acontecesse e chegam a perguntar se o cliente teve acesso à rede de internet pública.
Caso o problema não seja resolvido pacificamente, o cliente deve procurar um advogado para acompanhar e tentar resolver a questão.
As vítimas também podem consultar o Registrato, do Banco Central, um sistema em que você consulta, de graça, empréstimos em seu nome, bancos onde tem conta, chaves Pix cadastradas, cheques sem fundos e dados de compra ou venda de moeda estrangeira.
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