Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Por que a causa animal consegue eleger parlamentares no Amazonas, e a causa LGBTQIA+, não?

A figura dos animais, cachorro e gato, agora chamados de pets, ganhou uma centralidade na existência das pessoas, destaca o cientista político.

Causa LGBTQIA+

(Fotos: Divulgação/ Reprodução/Rede Social)

Manaus (AM) – Com as eleições municipais se aproximando, os pré-candidatos começam a levantar suas bandeiras de defesa, na tentativa de atrair eleitores. Porém, os valores da sociedade podem influenciar, inclusive a bandeira que o pretenso candidato escolherá para defender e, com isso, atrair os eleitores.

O Portal AM1 foi em busca de respostas para saber qual o motivo de a causa animal conseguir eleger parlamentares nas casas legislativas do Amazonas, enquanto a causa LGBTQIA+ não consegue o mesmo destaque.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antônio Nascimento, “o mundo real das pessoas LGBTQ+ é de muita dificuldade, muita negligência, violência, preconceito e discriminação; um descaso”.

“Você tem uma comunidade com um grupo específico de pessoas que, para alguém levantar essa bandeira, implicará que terá que combater na luta efetiva destas causas. E esse tipo de luta se assemelha ao das pessoas que lutam pela proteção e demarcação dos territórios indígenas, contra a violência no campo, temas muito arriscados e que só sensibilizam um grupo de pessoas. Além disso, em uma sociedade que é homofóbica, os partidos políticos vão ter estruturas homofóbicas e preconceituosas, pois qual é a chance de ter quadros militantes sociais que consigam alcançar espaços importantes e ter o apoio da sociedade?”, destaca.

Enquanto a causa pet, conforme o cientista político, vai falar com a classe média assalariada que gasta muito dinheiro com o veterinário. O professor destaca que o individualismo e o consumismo alcançaram esferas estratosféricas. A figura dos animais, cachorro e gato, agora chamados de pets, ganhou uma centralidade na existência das pessoas, que são extremamente carentes sob vários pontos de vista, e buscam uma compensação nos animais, a ponto de ter pessoas que passaram a tratar os seus pets como se pessoas fossem. E os chamam de filhos, netos, como se assim fossem.

Assim sendo, quando o animal sofre qualquer tipo de intercorrência de saúde, as pessoas vão a cada vez que alguém aparecer e defender, por exemplo, o hospital veterinário, apoiar, pois estão sensibilizados com a causa.

“Então, quando aparece uma pessoa com uma candidatura que defende essa agenda, defende a agenda dos pets, a proteção dos animais, vai falar com milhares de pessoas que têm o teu cachorro, o teu gato em casa”, explica o cientista político, ressaltando que, muitas vezes, essa mesma pessoa deixa o cachorro em casa, trancado por sete, oito, dez horas diariamente. “Isso tem nome, isso é abandono, isso é maltrato, isso é negligência”.

“Então você tem uma sociedade complicada, que não cuida uns dos outros, que abandona os avós, os pais, mas que tem cachorro e gato, mas que também abandona. E essas candidaturas não se viabilizam, porque as estruturas são racistas, homofóbicas e preconceituosas.”, observa Luiz Antônio.

Para aumentar a representatividade de parlamentares LGBTQIA+, é necessário um esforço combinado para mudar tanto a percepção da sociedade quanto fortalecer os candidatos. Educação, conscientização e representação positiva são essenciais para mudar o olhar da sociedade, enquanto a preparação, qualificação e estratégias de campanha eficazes são cruciais para os candidatos. Juntos, esses esforços podem criar um ambiente mais favorável para a eleição de representantes LGBTQIA+ e a promoção da igualdade e inclusão.

A diferença na eleição de parlamentares entre a causa animal e a causa LGBTQIA+ no Amazonas reflete uma combinação de fatores que incluem o nível de apoio popular; a presença de estigma e preconceito; a eficácia da organização e mobilização; a influência política e a percepção de urgência das questões. Para aumentar a representatividade de parlamentares que defendem a causa LGBTQIA+, é crucial continuar trabalhando na educação da sociedade, combater o preconceito, fortalecer a organização e a mobilização da comunidade, e construir alianças estratégicas com outros movimentos sociais.

Para aumentar a representatividade de parlamentares que defendem a causa LGBTQIA+, é importante abordar tanto a percepção da sociedade quanto a preparação e a estratégia dos candidatos LGBTQIA+. Ambos os aspectos são interdependentes e cruciais para o sucesso eleitoral.

Conscientização

A presidenta do Instituto Diversidade do Amazonas (ID+), Organizadora da Parada do Orgulho LGBT, Bruna La Close, pontua que, para combater o preconceito, requer esforços contínuos de educação, conscientização e apoio tanto dentro quanto fora das instituições legislativas. Além disso, ela destaca que, embora existam avanços e uma crescente aceitação da população LGBTQIA+, ainda há preconceito significativo dentro de muitas câmaras legislativas e assembleias.

“É preciso fortalecer alianças, promover uma cultura de respeito e inclusão, e garantir que políticas antidiscriminatórias sejam rigorosamente aplicadas, passos essenciais para criar um ambiente legislativo mais justo e acolhedor para todos.”

La Close relembra registros de parlamentares LGBTQIA+ que enfrentam desafios significativos nas casas legislativas, como preconceito de colegas e resistência a suas iniciativas. Bruna sugere a construção de projetos de lei, cujas iniciativas sejam para a criminalização da homofobia e a inclusão de direitos LGBTQIA+ nas políticas públicas.

Políticos podem utilizar discursos de ódio como uma ferramenta para ganhar apoio de eleitores conservadores, atacando diretamente a comunidade LGBTQIA+, gerando um ambiente hostil, que pode desmotivar parlamentares LGBTQIA+, levando à desistência de mandatos ou à desistência de candidaturas futuras, de acordo com Bruna.

Bruna ainda ressalta que, frequentemente, pessoas LGBTQIA+ enfrentam preconceito e discriminação em vários aspectos da vida cotidiana, incluindo no trabalho, escola, espaços públicos e até mesmo em suas famílias. Esse preconceito pode se manifestar por meio de violência física e verbal, exclusão social e microagressões.

Por isso, pessoas LGBTQIA+ são frequentemente sub-representadas em cargos políticos e posições de liderança. Essa falta de representação pode dificultar a criação e implementação de políticas que abordem suas necessidades específicas.

 

 

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