(Fotos: Divulgação TSE e TRE-SC)
Manaus (AM) – Em todo o Amazonas, há 1.434.915 (um milhão, quatrocentos e trinta e quatro mil, novecentos e quinze) eleitores aptos para votar no pleito municipal de 2024, segundo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Em Manaus, inclusive, há 1.322.978 (um milhão, trezentos e vinte e dois mil, novecentos e setenta e oito) eleitores em tal condição.
Com o maior colégio eleitoral do Estado, os institutos de pesquisas buscam analisar as intenções de votos junto aos eleitores. A intenção da pesquisa eleitoral é prospectar, da maneira mais próxima possível, os resultados daquela eleição.
Segundo o TRE-AM, já foram registradas no site 50 pesquisas de intenções de votos com pré-candidatos a prefeito no Amazonas e, obviamente, as cidades com maiores colégios eleitorais são as que os institutos de pesquisa registraram.
O Portal AM1 verificou que os municípios com registros para possíveis pesquisas junto aos eleitores são: Manaus; Maués; Autazes; Rio Preto da Eva; Parintins; Nova Olinda do Norte; Fonte Boa; Alvarães; Humaitá; Careiro; Presidente Figueiredo; Coari; Uarini; Itapiranga; Lábrea; Juruá e Itamarati. Desses, Manaus é o que tem mais números de registros de pesquisas, inclusive, algumas delas já aconteceram.
O cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antônio Nascimento, destaca que as pesquisas eleitorais têm um papel importante de chamar a atenção do eleitor para a questão da eleição.
“Quando você pensa numa campanha, é importante a pesquisa eleitoral. Olha, saiu uma pesquisa, o fulano está na frente, fulano está atrás, fulano não aparece. Fulano está na frente, embora esteja fazendo um mal governo, fulano está na frente e reflete o bom governo que faz. Então, as pesquisas tendem a ser fatores que contribuem para a formação de opinião e mais do que isso, chamar a atenção do eleitor, do cidadão, para o processo eleitoral”, avalia o especialista.
Contudo, o cientista político adverte que “é preciso ficar atento e ter muita cautela para ver quem contratou a pesquisa, quem pagou por elas, com isso, averiguar se o resultado não é duvidoso. Mais importante do que saber quem as realizou é saber quem pagou pela realização daquela pesquisa. A melhor pesquisa é aquela que foi autofinanciada. Se uma empresa de jornalismo, de comunicação contrata um serviço de pesquisa, sem que tenha sido subcontratada por pré-candidatos ou para candidatos, essas pesquisas tenderão a ter melhor elemento”, pondera.
Zonas Eleitorais
O Estado do Amazonas possui 60 zonas eleitorais distribuídas em seu território, sendo 13 delas na capital, e as restantes localizadas no interior. A reportagem do AM1 perguntou para pelo menos dez eleitores, que alegaram nunca terem sido abordados para nenhuma dessas pesquisas de intenção de voto.
Essas consultas, geralmente, são bem simples e podem ser feitas de diversas formas. A mais simples e objetiva é perguntando ao eleitor em quem ele quer votar, de maneira espontânea ou estimulada.
Na pesquisa espontânea, uma pergunta é feita aos entrevistados e não é dada nenhuma alternativa para resposta. Esta pesquisa permite medir a lembrança da pessoa que participa do levantamento. Assim, é possível saber o quanto o eleitor está interessado nas eleições.
No caso das pesquisas estimuladas, uma lista é passada para os entrevistados escolherem algumas das alternativas. São feitas usando um cartão com as alternativas ou com a leitura dos nomes. Neste modelo, é possível verificar quais são as opções mais relevantes entre as alternativas dadas. Neste modelo de pesquisa eleitoral, dá para saber quais nomes estão melhores na pesquisa segundo o eleitorado.
Abordagem
Mesmo sendo mais de um milhão e trezentos eleitores, as pesquisas são realizadas por “amostragens”, ou seja, com um pequeno grupo dividido por sexo, idade, faixa etária. Entre 1.500 eleitores ou 2 mil. É assim em todos os estados. No Pará, por exemplo, são mais de 6 milhões de eleitores, sendo 1 milhão deles registrados na capital, Belém, porém, nas pesquisas de intenção de voto, vale a mesma regra de sondagem.
Foco
Será que as pesquisas, antes do lançamento das candidaturas, podem confundir o eleitor ou servem como termômetro para o pleito que se antecipa?
Para o cientista político, o processo eleitoral brasileiro é um processo muito longo. Segundo ele, as eleições europeias têm, em média, 45 dias de campanha. As do Brasil têm mais de 90 dias, e isso é ruim.
“As pessoas estão cuidando da vida delas, estão cuidando das festas folclóricas, do boi bumbá, e a pré-campanha está rolando. Isso atrapalha um pouco a formação de juízo do eleitor, pois as pessoas não estão muito atentas, essas coisas atrapalham um pouco o pleito, pois tira o foco e as pesquisas acabam tendo, sim, um papel importante”, avalia.
Norteia voto
Na opinião do cientista político Helso Ribeiro, as pesquisas eleitorais contam, sim. “Não dá para negar que, às vezes, elas até norteiam a escolha dos eleitores. Tem uma parte do eleitorado, e uma parte grande, que vota naquele que pode ganhar e não no que pode perder, o que é uma lástima”, opina.
Para Helso Ribeiro, no caso de uma eleição que já configura desde o início, na pré-campanha, uma eleição de dois turnos, o eleitor deveria votar, principalmente, no primeiro turno, no candidato que ele acredita de fato. No candidato que mais apresenta propostas alinhadas ao que aquele eleitor considera importante. “Nem sempre quem larga na frente, numa pré-campanha, chega na frente. Isso é fato”, destaca Ribeiro.
Outro fato observado pelo cientista político é que, no período que ocorrem as pesquisas eleitorais, principalmente quando é feita com seriedade, a pesquisa envolve dezenas de profissionais, auxiliando na geração de emprego. Além de ser um termômetro daquele momento de campanha. “As pesquisas só não deveriam nortear o voto de ninguém, mas nem sempre é isso que ocorre”, pontua Ribeiro.
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