Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Parte dos vereadores da CMM já foi da base de David e agora apoia Roberto Cidade

Marcelo Serafim, Lissandro Breval e Everton Assis foram alguns que deixaram a base aliada do prefeito e se tornaram oposição. No entanto, outros também tomaram a mesma atitude.

(Foto: Divulgação/Semcom e CMM)

Manaus (AM) – O prefeito David Almeida (Avante) começou seu mandato em 2021 com uma sólida base na Câmara Municipal de Manaus (CMM). No entanto, ao longo do tempo, vários vereadores se afastaram do chefe do poder municipal e agora fazem oposição; além de apoiarem o pré-candidato a prefeito, Roberto Cidade (União Brasil), indicado do governador Wilson Lima na disputa.

Os principais nomes que deixaram David no meio do caminho foram: Marcelo Serafim, que foi líder do governo municipal na CMM; Everton Assis, ex-vice-líder; Lissandro Breval, ex-líder do Avante, partido do prefeito, no parlamento.

Entretanto, além deles, outros também mudaram de posição. Para se ter uma ideia, inicialmente, os únicos que não faziam parte dos aliados de David Almeida na CMM eram os vereadores Rodrigo Guedes (Podemos) e o atual deputado federal Amom Mandel (Cidadania), que deixou o Parlamento no início de 2023 para assumir uma vaga na Câmara Federal, em Brasília. Outros vereadores que sempre adotaram uma postura mais independente são: Capitão Carpê (Republicanos), William Alemão (Cidadania) e Raiff Matos, embora ultimamente tenham adotado uma postura mais de oposição, tecendo críticas à gestão de David.

Outros ou eram declarados de situação, ou faziam uma oposição mais amena, para tentar criar uma harmonia entre os Poderes, o que beneficiou o prefeito David Almeida por um tempo.

David Almeida com Marcelo Serafim na CMM — (Foto: Divulgação)

Mas o que aconteceu?

A base de David Almeida começou a estremecer em novembro de 2022, quando o ex-presidente do Legislativo, vereador David Reis (Avante), tentou alterar trechos da Lei Orgânica de Manaus (Loman) e do Regimento Interno para viabilizar sua permanência no comando do Parlamento. A ação encontrou resistência entre os parlamentares.

Com isso, a câmara se dividiu e elegeu o vereador Caio André (UB), para presidente da Casa, com voto, inclusive, da base de David Almeida. A votação foi acirrada, por 22 a 19, Elan Alencar (DC) foi derrotado.

Em 21 de novembro do mesmo ano, Marcelo Serafim renunciou à liderança do prefeito David Almeida na casa legislativa. Em seu discurso, Serafim alegou dificuldades em trabalhar com uma base dividida.

“Hoje não tenho nenhuma condição de continuar na liderança. Eu não fico na liderança de uma base dividida”, declarou na época.

Breval com David Almeida – (Foto: Divulgação)

Logo após o anúncio de Marcelo, o vereador Éverton Assis, vice-líder do prefeito na CMM, também deixou o posto.

Em um efeito dominó, ainda em novembro de 2022, o vereador Lissandro Breval entregou o posto de líder do partido Avante na Câmara Municipal. Depois disso, começou a adotar uma postura de oposição, inclusive apresentando denúncias de supostas irregularidades em secretarias da prefeitura. Ele deixou o partido de David e se filiou ao Progressistas (PP), que faz parte do arco de aliança de Roberto Cidade.

Quem assumiu o lugar de Breval foi o vereador Marcel Alexandre, pastor da Igreja da Restauração, que estava no partido desde o início de 2022. No entanto, durante a janela partidária, o parlamentar deixou o Avante de David e se filiou ao Partido Liberal (PL), declarando apoio ao pré-candidato Alberto Neto na corrida pela Prefeitura de Manaus.

Glória Carratte também era sempre vista com David – (Foto: Divulgação/Semcom)

Empréstimo polêmico

Outra questão polêmica na CMM, que também mexeu com a base de David, foi a votação do empréstimo de R$ 580 milhões, que, após várias tentativas, foi aprovado. Porém, os ex-aliados do prefeito, Marcelo Serafim, Lissandro Breval; Elissandro Bessa; Daniel Vasconcelos; Diego Afonso; Glória Carratte; Ivo Neto, Márcio Tavares; Professora Jacqueline e Rosivaldo Cordovil votaram contra. Agora, a maioria desses parlamentares apoia a pré-candidatura de Roberto Cidade.

Todos os vereadores citados já fizeram parte da base do prefeito ou, em algum momento, tiveram relações harmoniosas com David Almeida, sem fazer oposição dura. Eles eram frequentemente vistos em inaugurações ou fiscalizações de obras da prefeitura.

Diego Afonso, do União Brasil, por sinal, recebeu um discurso de apoio de David Almeida durante o lançamento de sua pré-candidatura a deputado federal em 2022. Na época, David e Wilson Lima estavam alinhados politicamente.

Após os impasses no ano passado na CMM, David chegou a fazer um almoço para conversar com os vereadores –  (Foto: Divulgação/Semcom)

Segundo o cientista político Carlos Santiago, a saída de alguns vereadores da base do prefeito e a transformação em oposição são uma estratégia eleitoral que visa à manutenção dos mandatos. Santiago explica que o prefeito de Manaus apoiou a reeleição de Wilson Lima, que atualmente tem uma influência significativa na Câmara Municipal de Manaus.

“Isso demonstra que não há uma ruptura ideológica na administração, mas sim uma estratégia focada na reeleição e na construção de alianças com pré-candidatos fortes, como Roberto Cidade e o Capitão Alberto Neto, ambos aliados do ex-presidente Bolsonaro e do atual governador Wilson Lima.”

Santiago aponta que, independentemente de quem será eleito, o próximo prefeito de Manaus provavelmente terá uma bancada majoritária, uma vez que a tradição política local mostra que o parlamento municipal tende a se alinhar com aqueles que detêm o poder, seja na prefeitura ou no governo estadual.

Ele enfatiza ainda a importância do eleitorado em escolher com responsabilidade, destacando que a qualidade da política e o futuro da cidade dependem não apenas dos eleitos, mas também das decisões da população na hora de votar.

Como ficou a CMM após a janela partidária?

Após o fim da janela partidária, apesar de algumas perdas, como de Lissandro Breval e Marcel Alexandre, que migraram para o PP e PL, o Avante ainda manteve sua força, como a maior bancada da CMM, formada por cinco vereadores: David Reis, Gilmar Nascimento, Eduardo Assis, Eduardo Alfaia e Joelson Silva.

David Almeida também manteve o maior número de parlamentares na sua base aliada, em comparação com os demais pré-candidatos nas eleições deste ano. O prefeito saiu do período da janela partidária contando com 20 vereadores como aliados, ou seja, deixando em evidência uma CMM dividida.

O MDB, partido do arco de aliança de Almeida, também saiu fortalecido, passando a contar com quatro parlamentares: Luis Mitoso, Kennedy Marques, Raulzinho e Isaac Tayah. O PSD tem os vereadores Professor Fransuá, Jander Lobato e Professor Samuel como aliados do prefeito.

Outro partido que cresceu foi o Agir, passando a ter três vereadores na base de Almeida: Dione Carvalho, Rosinaldo Bual e Alonso Oliveira. O Democracia Cristã tem Elan Alencar (DC) e Wallace Oliveira (DC) apoiando o prefeito.

Roberto Cidade também se reuniu com alguns vereadores – (Foto: Divulgação)

A base de David Almeida ainda conta com Sassá da Construção Civil (PT), Marcel Alexandre (PL) e Roberto Sabino (Podemos). Esses três parlamentares se mantêm aliados mesmo estando em partidos de oposição.

Já Roberto Cidade (União) ficou com dezesseis vereadores alinhados ao governador Wilson Lima (União). O pré-candidato deputado federal Alberto Neto (PL) ficou com base formada apenas por dois parlamentares do seu partido na CMM, Raiff Matos e Capitão Carpê.

Amom Mandel (Cidadania) também possui base formada por apenas dois vereadores, um do seu partido e outro oriundo do PSDB, por conta da Federação PSDB/Cidadania. O vereador Jaildo Oliveira (PV) está no partido que faz parte da Federação PT, PCdoB e PV, que ainda não definiu o nome do pré-candidato a prefeito de Manaus, mas ao que tudo indica o apoio será para Roberto Cidade.

Atualmente, o líder de David Almeida na CMM é Eduardo Alfaia (PMN) que assumiu o cargo substituindo o vereador Fransuá, que ocupava a posição desde novembro de 2022. Fransuá agora faz parte do colegiado de vice-líderes, junto aos parlamentares Luis Mitoso, Raulzinho e Gilmar Nascimento.

 

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