Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Amom quer vias exclusivas para ônibus em Manaus, mas especialista discorda

Embora seja uma proposta interessante, o doutor de Engenharia em Transporte, Geraldo Alves, acredita que o projeto não é viável para as condições de Manaus.

Amom propõe vias exclusivas para ônibus; Especialista acredita que opção é inviável para Manaus (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – Uma das propostas do deputado federal e pré-candidato à Prefeitura de Manaus, Amom Mandel (Cidadania), para melhorar a mobilidade urbana de Manaus é criar uma faixa exclusiva para ônibus trafegarem mais rápido sem que outros veículos tenham acesso à mesma via. No entanto, um especialista em trânsito ouvido pelo Portal AM1 afirmou que, embora a ideia seja boa, Manaus não tem condições para concretizá-la, e, portanto, é inviável.

“Para reduzir o custo das passagens de ônibus hoje, é preciso aumentar a velocidade média dos ônibus. Para isso, nós precisaríamos de vias exclusivas de verdade. Não da Faixa Azul, que nunca foi implementada de maneira integral. Nós temos isso em Brasília, por exemplo, onde fizeram a desapropriação e, assim por diante, construíram faixas exclusivas. Não é uma faixa separada por uma tinta. Eram ruas exclusivas”, explica Amom.

Apesar de não utilizar a nomenclatura para descrever o seu projeto, a explicação corrobora com a definição do modal Bus Rapid Transit (BRT). O modelo de transporte consiste na implementação de vias exclusivas, unicamente para os transporte coletivo. Nesses espaços, os veículos podem transitar com uma velocidade média superior a dos ônibus por estarem em vias segregadas da superfície.

 

(Foto: Divulgação/Secretaria de Transportes/GDF)

Em Brasília, como utilizado de exemplo pelo pré-candidato, o modal foi entregue em junho de 2014, como parte do pacote para melhorias no setor de mobilidade urbana para a Copa do Mundo FIFA 2014.

Regionalização o projeto

Embora pontue que o BRT seja uma proposta interessante para desafogar o trânsito superlotado do transporte coletivo da cidade, o professor aposentado do departamento de Geografia do Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor de Engenharia em Transporte, Geraldo Alves, acredita que o projeto não é viável para as condições de Manaus.

“Na prática, qualquer um que tentar fazer isso vai se deparar com dificuldades muito grandes, porque o sistema de corredor exclusivo vai precisar de, no mínimo, duas faixas de rolamento por sentido: dois corredores, um na direção Centro-Bairro, outro na direção Bairro-Centro. Porém, para funcionar mais satisfatoriamente, precisaria de quatro faixas de rolamento, duas por sentido; de tal modo que se um veículo do BRT der ‘pane’ e parar em uma faixa de rolamento, a gente não paralisa todo o sistema”, explica.

Ao Portal AM1, nessa terça-feira (16), Geraldo Alves explicou que vias expressas já foram propostas na capital, como prometido pelo ex-prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento (PL). Segundo o especialista, o projeto desandou e apenas algumas avenidas da capital sofreram a desapropriação de imóveis para alargamento das faixas e, se hoje esse mesmo projeto for aprovado, muitas famílias teriam que deixar seus imóveis para dar espaço às vias.

“Quando o Alfredo Nascimento quis implantar o Expresso, ele desapropriou imóveis na região da [avenida] Constantino Nery. Então, se a gente tem uma Constantino Nery, hoje, mais ampliada, mais larga, é graças ao projeto do Expresso do Alfredo Nascimento. Porém, foi só um pedaço da cidade. Cadê que a gente ‘quebrou’ a André Araújo, a Recife, a Major Gabriel? O que mais a gente teria que quebrar para fazer um corredor forte, para chegar e sair na área central? Então, esses são os desafios”, pontua especialista.

Alves pontua, ainda, que esse processo é algo custoso e não se limita apenas na desapropriação dos imóveis, já que envolve questões financeiras e políticas.

“Pode até ser, como fez o Alfredo Nascimento. Ele desapropriou o imóvel, destruiu e quebrou. Agora, isso tem custo, tem problema na Justiça, porque o proprietário vai pedir para embargar, vai ter juiz que vai conceder dignidade de embargo. Aí gasta tempo para convencer, para o processo andar e embargar e a obra retomar. Então, é bem custoso. E a palavra custoso de custo é em todos os sentidos. Não só o custo monetário, mas o desgaste político, os custos de processo”, complementa Alves.

Exclusão de zonas da cidade

Diferente de Brasília, a capital do Amazonas apresentou um desenvolvimento urbano não planejado e, em alguns pontos, com áreas não atendidas adequadamente por obras de infraestrutura — a zona Leste é um exemplo.

O Portal AM1 questionou o doutor acerca de a construção do BRT fomentar a exclusão de zonas administrativas da cidade, no sentido de mobilidade urbana e, segundo o especialista, é possível.

“Vamos pegar a avenida Autaz Mirim, que é uma área importantíssima para a zona Leste. Ela tem três faixas de rolamento. Se a gente usa uma exclusiva para o ônibus, que já foi implantada na época do Expresso, ficou só uma faixa por sentido. A gente já tem esse problema, porque, como é que ficam os outros veículos que vêm atrás?”, comenta o especialista.

 

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