(Foto: Diego Peres/Secom & Divulgação/DNIT)
Manaus (AM) – O governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), criticou, nesta quinta-feira (22), o governo federal que, segundo ele, tenta construir uma imagem de “protetor” da Amazônia às custas da população do estado.
Wilson Lima publicou nas suas redes sociais um trecho de sua entrevista concedida à CNN na qual discursa sobre a pavimentação da BR-319. O mandatário defendeu a importância das obras que, para ele, evitaria o isolamento do estado nos momentos críticos, como o período da estiagem.
“Dizer que não é possível pavimentar a BR-319 e começar a construir uma narrativa de que a BR-319 vai aumentar desmatamento ou vai aumentar os crimes ambientais, isso é inaceitável. Não dá para o governo brasileiro simplesmente querer construir uma história de protetor da Amazônia e colocando a população do estado do Amazonas de joelhos”, disse o governador.
Na ocasião, Lima citou, inclusive, algumas sugestões de enfrentamento aos impactos ambientais dentro da BR-319 que poderiam ser implementados e sustentados pelo Governo do Estado em função do calçamento da rodovia.
“O estado do Amazonas e a sua população estão dispostos a atender a todas as condicionantes ambientais. Se for para colocar chip nos carros que saem do Careiro até Porto Velho, não há problema. Se for para colocar portal, câmera ou balança na BR-319 para pesar os carros e evitar carga pesada, o governo do estado está disposto a fazer tudo isso”, declarou o mandatário.
Apoio
Na sessão dos comentários da publicação, o deputado estadual Rozenha (PMB) saiu em defesa do posicionamento do governador e afirmou que os discursos contrários à pavimentação da BR-319 são ‘narrativas construídas’ dentro de escritório de ONGs ‘financiadas’ por mecanismos ambientais internacionais. Na perspectiva do parlamentar, a postura contrária a pavimentação ‘fere’ os direitos legítimos do povo amazonense.
“Segundo o próprio Ministério dos Transportes [comandado por Renan Filho], que emitiu parecer colocando e afirmando que a BR-319 seria um exemplo como a rodovia mais ambientalmente preparada do Brasil. Falta vontade, lucidez e humanidade com quem mais precisa ser enxergado, pois ali estão invisíveis”, declarou Rozenha nos comentários da publicação.
O parecer que o deputado estadual e presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF) se refere foi defendido durante a publicação do relatório sobre obras de recuperação da BR-319. O ministro dos transportes, Renan Filho, afirmou que seria possível construir a BR-319 sem prejuízos ambientais intensificados, ou seja, de uma forma sustentável.
“Será uma rodovia com cercamento em áreas de floresta, com passagem de fauna subterrânea e aérea. O estudo que tornamos público envolveu uma escuta ampla. Ouvimos o Ministério do Meio Ambiente e outros ministérios e órgãos envolvidos, ouvimos a sociedade, tivemos audiências públicas na região amazônica e chegamos à conclusão de que este caminho é possível. No passado, a estrada já foi parcialmente asfaltada, mas houve involução com a falta de cuidados. Agora temos licenciamento para parte da obra e estamos esperando a licença para o restante”, disse.

(Foto: Reprodução/Redes Sociais Wilson Lima)
O vereador Lissandro Breval (Progressistas) também defendeu seu posicionamento a favor da pavimentação nos comentários. “A falácia de preservação condenando o Amazonas ao isolamento! O povo do Amazonas precisa ser respeitado”, pontou o parlamentar.
Cooperação
Durante uma reunião geral com pastas do Governo Federal e alguns chefes do executivo estadual, em Brasília, o governador Wilson Lima ressaltou a importância da cooperação os governos para combate aos impactos da estiagem.
“Poucas vezes tivemos uma integração e uma reunião como essa para colocar todo mundo na mesma página. Isso não pode só acontecer nesse momento que a Amazônia está pegando fogo, tem que ser permanente e o ano todo, porque ano que vem teremos que enfrentar o mesmo problema, como mobilizar equipes e aeronaves para combater os incêndios. Precisamos ter um trabalho permanente de montar essas estruturas e preparar as cidades”, defendeu Wilson.
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