Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Decisão do STF sobre Bolsonaro divide opiniões entre políticos do Amazonas

Por unanimidade, a Primeira Turma do STF votou para que o ex-presidente Jair Bolsonaro se torne réu pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

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(Foto: Gustavo Bezerra/PT, Hudson Fonseca/Aleam, Alan Santos/PR, Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados & Emerson Lamego & Rafael Reis/Dicom)

Manaus (AM) – Políticos do Amazonas divergem sobre a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete pessoas réus pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

Ao Portal AM1, o vereador Zé Ricardo (PT) classificou a decisão como um marco e uma vitória para a democracia.

“Essa decisão dos ministros do STF é muito importante para o país e para a democracia. Primeiro, porque mostra que todas as investigações feitas e as provas apresentadas são consistentes e, portanto, devem ser aceitas. Com isso, Bolsonaro se tornou réu e agora enfrentará um julgamento. Ele e todo o grupo que apoiava a organização criminosa — da qual ele foi apontado como chefe — serão responsabilizados”, afirmou Zé Ricardo.

O vereador destacou as diferenças entre o caso de Bolsonaro e a condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele argumentou que, na condenação de Lula, o Judiciário teria sido usado para perseguição política e que, naquele contexto, a verdade prevaleceu.

“Diferente da época de Lula, quando o Judiciário foi usado para perseguição política, mas a verdade prevaleceu, agora é essencial garantir o devido processo legal, para que o julgamento deixe claro que não há espaço para golpistas no Brasil”, declarou Zé Ricardo.

Questionado pelo Portal AM1, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) comentou sobre as consequências políticas e jurídicas da decisão de tornar Bolsonaro e mais sete pessoas réus pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, Ramos analisou um possível enfraquecimento do “bolsonarismo”.

“Do ponto de vista política a consequência é o enfraquecimento do bolsonarismo que está preso na pauta a anistia. Do ponto de vista jurídico a consequência mais provável é que ele irá para a cadeia”, comentou Marcelo Ramos.

A secretária nacional de Mulheres do PT, Anne Moura, assim como Zé Ricardo, considera a decisão do STF uma vitória da democracia. Para Anne Moura, “Bolsonaro e seus aliados atentaram contra o Brasil, incentivaram ataques violentos e espalharam mentiras para manter um projeto autoritário de poder”, afirmou.

“O 8 de janeiro foi um ataque direto às instituições e um reflexo do extremismo que ele e seu grupo fomentaram. Agora, eles terão direito à ampla defesa – como qualquer cidadão –, mas isso não pode significar impunidade! O Brasil já sofreu demais com períodos de autoritarismo e não pode permitir que a história se repita. Justiça para a democracia! Sem anistia!”, completou Anne Moura.

PL no Amazonas reage: ‘perseguição política’

Como esperado, os signatários do Partido Liberal (PL) no Amazonas interpretam de maneira diferente a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar Bolsonaro e mais sete pessoas réus pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) pelo Amazonas, que concorreu à Prefeitura de Manaus em 2024 com a “benção” de Jair Bolsonaro, fez diversas publicações nessa quarta-feira (26) em suas redes sociais em apoio ao ex-presidente. Em uma delas, Alberto Neto classificou a decisão como a maior “perseguição político-judicial da história do Brasil“.

Alberto Neto interpretou a decisão dos ministros do STF como motivada por interesses políticos para impedir que Bolsonaro, inelegível desde junho de 2023 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, “participe e ganhe a eleição presidencial de 2026”.

O vereador de primeiro mandato Coronel Rosses (PL) comentou ao Portal AM1 sobre a decisão. Por meio de sua assessoria, Rosses afirmou que os fundamentos do Estado Democrático de Direito estão sendo “ignorados” e os princípios democráticos “rasgados seguidamente”. Assim como outros apoiadores de Bolsonaro, o vereador não considera a decisão como democrática.

“Todos os cidadãos que estão acompanhando esse julgamento, estão estarrecidos com o que está acontecendo. Os fundamentos do Estado Democrático de Direito são ignorados, princípios democráticos rasgados seguidamente. Até o inimaginável acontece; um juiz apresentando provas! Infelizmente, isso não se enquadra como democracia. E aos que estão comemorando, vai um aviso; esse mal se voltará contra vocês amanhã, não se enganem. A história mostra que todas as ditaduras agem dessa forma”, disse Rosses.

Ainda na bancada da Câmara Municipal de Manaus (CMM), o vereador Capitão Carpê Andrade (PL) usou suas redes sociais para expressar apoio a Jair Bolsonaro. Na publicação, o vereador afirmou que o “sistema” continua buscando perseguir Bolsonaro. “Seria coincidência tudo isso acontecendo justo quando o Governo Lula passa a ser cada vez mais rejeitado?!”, completou Carpê.

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) votou nesta quarta-feira (26) para que o ex-presidente Jair Bolsonaro se torne réu pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito. É a primeira vez que um ex-presidente eleito é colocado no banco dos réus por crimes contra a ordem democrática estabelecida com a Constituição de 1988.

 

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