Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Pesquisador rebate Omar Aziz e defende Marina Silva sobre crise de oxigênio em Manaus

Pesquisador Lucas Ferrante classificou como falsa a declaração do senador e defendeu que a crise de oxigênio poderia ter sido evitada com planejamento e transporte fluvial.

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(Foto: Arquivo Pessoal/Lucas Ferrante e Pedro França/Agência Senado)

Manaus (AM) – O biólogo e pesquisador Lucas Ferrante repudiou, nesta semana, as declarações do senador Omar Aziz (PSD-AM) à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre a crise de oxigênio em Manaus durante a pandemia de Covid-19. Em vídeo enviado ao Portal AM1, nesta quarta-feira (28), Ferrante classificou como falsas as afirmações do senador, que responsabilizou a ausência de pavimentação da BR-319 pelo colapso no sistema de saúde da capital amazonense.

Ontem (27), durante audiência no Senado, Omar relembrou a crise do oxigênio durante a pandemia da Covid-19 em Manaus. Segundo ele, a falta de uma ligação rodoviária adequada com o restante do país agravou a tragédia.

“Eu vi quinze mil pessoas morrerem na cidade de Manaus por falta de oxigênio, porque a BR-319 não estava asfaltada e era época de inverno, ministra. Meu irmão morreu por falta de oxigênio, amigos meus morreram por falta de oxigênio, porque não tinha uma estrada para levar oxigênio. A senhora quer que eu fique passivo a tudo isso?”, desabafou Aziz.

Coordenador do estudo que alertou com antecedência sobre a segunda onda da pandemia em Manaus, Ferrante destacou que as autoridades locais tiveram ao menos seis meses para se preparar para o agravamento da crise.

Ele lembrou que os alertas foram amplamente divulgados por meio de publicação na revista Nature Medicine, entrevistas em rede nacional e palestras a órgãos estaduais, como a Assembleia Legislativa do Amazonas e o Ministério Público.

“Todos os tomadores de decisão sabiam da iminência da segunda onda. Houve tempo hábil para agir”, afirmou o pesquisador.

Assista ao vídeo enviado pelo pesquisador Lucas Ferrante ao Portal AM1:

Ferrante também rebateu o argumento de que a BR-319 poderia ter agilizado a entrega de oxigênio. Segundo estudo publicado no Journal of Racial and Ethnic Health Disparities, se o transporte tivesse ocorrido pelo Rio Madeira, o oxigênio teria chegado 66 horas antes, com uma economia de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.

Além de refutar a ligação entre a BR-319 e a crise sanitária, o biólogo reforçou os impactos ambientais da pavimentação da rodovia. Ele alertou que o projeto favorece o avanço do crime organizado, a grilagem de terras e o desmatamento, além de ameaçar áreas estratégicas para a formação de chuvas no Sul e Sudeste do país.

“A BR-319 acessa reservatórios zoonóticos e pode desencadear novas pandemias. O licenciamento ambiental é essencial para evitar essas ameaças”, concluiu Ferrante, reiterando seu apoio à ministra Marina Silva e à necessidade de rigor técnico nas decisões sobre grandes obras na Amazônia.

Confira os artigos do pesquisador sobre o tema:

Omar é questionado sobre declarações envolvendo BR-319 e crise de oxigênio

Nesta quarta (28), o senador Omar Aziz foi questionado por declarações. Em um dos questionamentos feitos pelo Portal AM1, Omar é indagado se está ciente de que pesquisas científicas apontam que o transporte do oxigênio pelo rio Madeira teria sido mais rápido e barato do que por via terrestre.

Outro ponto levantado envolve os diversos alertas emitidos por especialistas e instituições públicas sobre a iminência da segunda onda da Covid-19 em Manaus. A comunidade científica afirma que houve tempo suficiente para preparar o sistema de saúde, mas que as autoridades locais ignoraram os avisos amplamente divulgados à imprensa e a órgãos oficiais.

O senador foi questionado se ignora os alertas emitidos por pesquisadores e instituições públicas sobre a segunda onda da Covid-19 em Manaus com meses de antecedência?

As perguntas destacam a necessidade de uma resposta do parlamentar diante das evidências que contradizem suas declarações no Senado. Até o momento, Omar Aziz não se pronunciou sobre os questionamentos.

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