(Foto: Divulgação/ Assessoria UEA)
Manaus (AM) – “A inteligência artificial já não é mais futuro, é presente. E o Amazonas não pode se dar ao luxo de ficar para trás.” É assim que o economista Mourão Junior resume a importância do lançamento do novo curso de bacharelado em Inteligência Artificial da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), anunciado nesta terça-feira (17) pelo governador Wilson Lima.
Para o especialista, a criação do curso representa muito mais do que uma simples expansão acadêmica. É uma estratégia fundamental para preparar o estado para os desafios e oportunidades de uma nova economia, cada vez mais digital e automatizada.
Inteligência Artificial como motor econômico
Em entrevista ao Portal AM1, Mourão avalia o impacto da formação em IA em relação a Zona Franca de Manaus. Segundo ele, a qualificação de profissionais locais tem potencial para impulsionar a economia do interior e diversificar as atividades econômicas do estado.
“A IA já está inserida no dia a dia das empresas. Quem não entender isso vai ficar fora do mercado. Esse curso vem suprir uma demanda reprimida e urgente por profissionais capazes de atuar com tecnologias que já estão em uso”, afirma o economista.
Mourão explicou também que setores como indústria, comércio e serviços serão diretamente beneficiados, especialmente pela possibilidade de otimização de processos, redução de desperdícios e aumento de produtividade.

Economista Mourão Junior (Foto: Arquivo pessoal Mourão Junior)
Atração de investimentos
De acordo com o especialista, a formação em Inteligência Artificial tem potencial para atrair investimentos externos ao Amazonas, especialmente por atender às demandas do distrito industrial e do comércio local. Segundo ele, a adoção dessas tecnologias já impulsiona a abertura de novos negócios, sobretudo startups, que dependem diretamente de mão de obra qualificada.
O principal desafio, portanto, está na capacitação dos profissionais locais, para que os empreendedores saibam utilizar essas ferramentas de forma estratégica, aumentando a produtividade e tornando os negócios mais competitivos e sustentáveis.
“O empreendedor vai necessitar desse profissional. Então, a capacitação da mão de obra local vai atrair esses investimentos”. Afirma o especialista.
Setor público e meio ambiente: IA como aliada estratégica
Para além do setor privado, o especialista vê na IA uma ferramenta essencial para modernizar o serviço público e enfrentar desafios crônicos da região. Segundo Mourão, a utilização da inteligência artificial no setor público pode gerar grandes benefícios, como a redução da burocracia, a agilização dos processos e a diminuição dos custos para o Estado, além de melhorar a conexão entre a população e os órgãos públicos.
No entanto, faz alerta para o desafio que surge quando se compara os incentivos fiscais vinculados à geração de empregos, como ocorre no Polo Industrial de Manaus (PIN), com a automação proporcionada pela IA que, apesar de reduzir custos, tende a demandar menos mão de obra. Mourão também destaca que, na área ambiental, a IA se mostra uma ferramenta essencial para monitoramento, combate ao desmatamento e preservação da Amazônia, pois permite ao Estado atuar de forma mais eficiente e rápida no enfrentamento dos problemas ambientais.
“A própria IA vai ser uma ferramenta fundamental para comprovar e combater e manter a nossa Amazônia Verde”, afirma o especialista.
Em exclusividade ao Portal AM1 o reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), André Zogahib, falou sobre a importância do curso como um marco tanto para a instituição quanto para a região.
“Os desafios são imensos. Estamos falando de uma área que ainda é novidade para muita gente. A Inteligência Artificial, hoje, é muito utilizada para gerar imagens, textos, documentos, mas o seu desenvolvimento acadêmico ainda é incipiente no Brasil. A UEA, que já realiza pesquisas nessa área há muito tempo, agora consolida esse trabalho com um curso de excelência, preparado por pesquisadores da própria universidade”, destacou.
Para ele, a criação do curso não só amplia as oportunidades para os alunos, como também tem potencial de impulsionar o desenvolvimento econômico da região.
“Ao formar profissionais capacitados, esses alunos poderão atuar tanto no setor privado quanto no serviço público, contribuindo diretamente para a economia dos municípios onde estarão inseridos. A tecnologia, quando bem desenvolvida, gera um ciclo econômico crescente. Como já dizia Schumpeter, não é a economia que desenvolve a tecnologia, mas a tecnologia que impulsiona o crescimento econômico”, reforçou André .
(Foto: Celso Maia/ Portal AM1)
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