Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Há 3 anos, Festival de Parintins sediou ‘casamento’ entre Tadeu e Wilson com as bênçãos de David

Sob o pretexto da festa folclórica, caciques da política amazonense usam Parintins como passarela para desfiles de ego, alianças de ocasião e ensaios de traições eleitorais.

David, Wilson e Tadeu de Souza em junho de 2022, durante o Festival de Parintins

David, Wilson e Tadeu de Souza em junho de 2022, durante o Festival de Parintins (Foto: Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – Parintins será, mais uma vez, o camarote preferido dos políticos amazonenses neste fim de semana (27, 28 e 29 de junho). Mas, por trás das penas dos bumbás, o que realmente se arma é a guerra por espaço, holofote e — claro — poder.

Há exatos três anos, em 25 de junho de 2022, David Almeida (Avante) viajava 367 km até a ilha para posar ao lado de Wilson Lima (UB), com seu então vice (Tadeu de Souza) debaixo do braço. Um pacto que uniu as duas maiores máquinas do Estado: Prefeitura de Manaus e Governo do Amazonas. Durou pouco. Como todo casamento por conveniência, ruiu assim que os interesses deixaram de convergir.

Mesmo sem ser ano eleitoral, 2025 já tem cheiro de disputa. E no xadrez político do Amazonas, o Festival Folclórico de Parintins virou o grande tabuleiro para movimentos ensaiados, alianças improvisadas e traições futuras. Com os olhos do Brasil voltados para a ilha, políticos aproveitam a festa para ostentar o que têm: mandato, vaidade e sede de poder.

Wilson Lima, que sonha com uma cadeira no Senado, está em plena maratona aérea Manaus-Parintins-Manaus, tentando garantir alguma visibilidade entre uma entrega de obra e outra selfie ao lado de torcedores de Garantido e Caprichoso. O governador já fez pose no tradicional “Boi de Rua” e, nesta terça-feira (24), volta à ilha para repetir o roteiro — porque campanha antecipada também se faz com fantasia.

Enquanto isso, os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), sem muita paciência para dividir palco com Wilson, montam suas próprias vitrines eleitorais. Junto de seus aliados locais — o prefeito, Mateus Assayag, e a vice-prefeita, Vanessa Gnçalves —, também ensaiam suas entregas e conversas de bastidor.

Omar, que não esconde mais a intenção de disputar o Governo do Estado, quer sair da ilha com mais que aplausos: quer alianças e nomes fortes para compor uma chapa majoritária que agrade Brasília e garanta palanque no interior.

E é aí que começam os dilemas: o PT bate o pé pelo protagonismo na chapa, Marcelo Ramos já se lançou pré-candidato ao Senado, e David Almeida — que agora flerta com a oposição — tenta empurrar a filha, Fernanda Aryel, como vice de alguém. Mas como se sabe, para ser vice não basta querer — é preciso ser convidado. E até agora, Omar não mandou flores.

Anne Moura, do PT, que em 2022 recebeu o convite por telefone para ser vice de Braga, também circula nos bastidores, de olho em qualquer brecha que se abra entre as vaidades masculinas da política local.

David, por sua vez, ameaça não ir à ilha para evitar o desgaste de dividir espaço com desafetos. Mas após ter lançado o seu ex-vice-prefeito, Marcos Rotta, como pré-candidato ao Senado, em claro recado ao PT, pode muito bem dar uma escapada estratégica e, quem sabe, empurrar Fernanda nos braços de Omar.

No fundo, o que está em jogo é quem vai mandar na folia política de 2026. E em Parintins, entre uma toada e outra, é o jogo de bastidores que embala a dança das cadeiras.

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