Marcelo Ramos e Lula (Foto: Assessoria/Planalto)
Manaus (AM) – O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PL) confirmou que vai disputar uma das vagas ao Senado em 2026, vestindo a camisa do projeto lulista e se colocando como “soldado da democracia” — com um discurso que atira para todos os lados. Durante entrevista ao Portal AM1, e em tom de missão cívica, Ramos tenta justificar sua volta à cena eleitoral dizendo que tem “quase o dever” de colocar seu nome à disposição do campo progressista. O detalhe é que, mesmo fora do mandato, ele faz questão de garantir que ainda dita parte da estratégia nacional do PT e do próprio Lula.
Ao anunciar a pré-candidatura com tanta antecedência, Marcelo rebate a tese de que tenta minar aliados: “Muito pelo contrário”, disse, como quem já tenta construir a chapa antes mesmo do jogo começar. Ele prevê uma composição previsível: Eduardo Braga (MDB) com a primeira vaga e o PT ficando com a segunda — que, naturalmente, seria dele. A “ordem natural das coisas”, como chamou, parece incluir seu próprio nome entre os ungidos.
Ramos faz questão de se diferenciar da disputa pela Câmara dos Deputados, alegando já ter cumprido seu ciclo como deputado federal. No lugar disso, mira no Senado, que classifica como “trincheira de resistência” contra o bolsonarismo e onde, segundo ele, se trava a verdadeira guerra em defesa da democracia. Cita ameaças à estabilidade institucional, impeachment de ministros do Supremo e “projetos autoritários disfarçados de oposição”.
No campo econômico, Marcelo tenta recuperar protagonismo ao bater na tecla da Zona Franca de Manaus. Reforça que o Senado salvou o modelo durante o atropelo da reforma tributária na Câmara, graças à atuação dos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz. Aposta no fim de outros incentivos fiscais em 2033 para dizer que a ZFM será “única” e que isso abre uma “janela histórica” de oportunidades. E aí entra sua cartada: só alguém com visão estratégica, como ele, poderá preparar o estado para esse novo ciclo.
No fim, Marcelo Ramos tenta emplacar um discurso de futuro, mas não esconde que já está em campanha. Reaparece como nome do lulismo no Amazonas, bate nos opositores do governo federal, exalta o Senado como palco central da política nacional — e ainda se coloca como a peça que falta para evitar que o Amazonas, em 2073, continue mendigando incentivos. Se depender dele, o jogo já começou. E ele quer jogar com a faixa de salvador no peito.
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