(Foto: Arquivo/ Secom)
Manaus (AM) – Quarenta municípios do Amazonas estão em estado de emergência devido à cheia dos rios. No entanto, pouco mais de 40% dessas cidades receberam recursos federais até o momento. A informação foi confirmada pelo presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson José de Sousa, em entrevista ao Portal AM1, que alertou para a urgência da situação e destacou a insuficiência do suporte por parte do governo federal.
“Dos 40 municípios que decretaram a emergência, apenas 19 receberam recurso da Defesa Civil Nacional. Outros 16 receberam apoio do Ministério da Saúde, mas nenhum recebeu ajuda do Ministério da Cidadania”, afirmou o presidente da AAM.
(Foto: Celso Maia/ Portal AM1)
Segundo ele, enquanto o auxílio não chega, o Governo do Amazonas tem assumido sozinho a responsabilidade de garantir cestas básicas, água potável, purificadores e caixas d’água para todas as cidades atingidas. A situação, no entanto, é crítica: comunidades rurais continuam isoladas, com plantações submersas e sem qualquer possibilidade de produção ou sustento próprio.
Apoio técnico, mas sem garantia de repasse
A AAM tem atuado em conjunto com as prefeituras, Defesa Civil Estadual e Defesa Civil Nacional para orientar a elaboração de planos de trabalho e projetos de solicitação de recursos. Mas, mesmo com a documentação pronta, muitos pedidos continuam parados nos ministérios.
“Nós organizamos os municípios, preparamos os projetos e os encaminhamos aos ministérios. O problema é que a liberação dos recursos não acontece no ritmo que a emergência exige”, lamentou o dirigente.
O presidente também destacou que, em recente visita a Manaus, o ministro Wellington Dias se comprometeu a liberar 100 mil cestas básicas via Conab, mas o material ainda não chegou aos municípios.
Prefeituras sacrificam recursos próprios
Sem o apoio necessário, muitas prefeituras têm deixado de realizar obras e sacrificado seus próprios orçamentos para socorrer as famílias atingidas. A desigualdade de estrutura entre a capital e o interior agrava ainda mais o problema.
“A Prefeitura de Manaus tem uma estrutura maior e conseguiu atender comunidades rurais várias vezes. Já os prefeitos do interior não têm a mesma condição. Estão fazendo o que podem, às vezes deixando obras paradas para comprar alimento e água”, explicou o presidente da AAM.
O drama das famílias isoladas
Em muitas localidades, a cheia submergiu plantações e cortou o acesso às comunidades. Famílias inteiras estão há meses sem conseguir produzir sequer hortaliças, e os alimentos doados não são suficientes para manter o sustento básico até o fim da estiagem.
“Uma cesta básica não mantém uma família por quatro ou cinco meses. Sem produção, sem renda, essas pessoas não têm outra alternativa”, afirmou.
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