Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Deputados se calam frente às crises ambientais no AM

Aleam apresenta poucos projetos de lei sobre desastres naturais, apesar da recorrência dos eventos.

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(Foto: Danilo Mello/ Aleam)

Manaus (AM) – Enquanto o Amazonas enfrenta desastres naturais recorrentes, a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) parece assistir aos acontecimentos com distanciamento preocupante. A função essencial de fiscalizar o Executivo e propor soluções concretas tem sido negligenciada por grande parte dos parlamentares, que priorizam discursos e requerimentos em detrimento de projetos de lei que poderiam representar respostas estruturantes às emergências.

A ausência de iniciativas legislativas consistentes especialmente nos temas de seca e cheia revela uma inércia institucional incompatível com a gravidade dos problemas enfrentados pela população. Um levantamento das atividades no Sistema de apoio de processos (SAPL) da Aleam em 2024 e 2025 mostra um Legislativo mais afeito à retórica e à exposição midiática do que ao enfrentamento real das crises que assolam o estado.

Levantamento de Projetos de Lei, Requerimentos e Propostas na Aleam (2024-2025)

Tema Ano Projetos de Lei (PL) Requerimentos Propostas (outros atos)
Saúde 2024 71 190 0
2025 58 144 0
Seca 2024 0 13 0
2025 0 3 0
Cheia 2024 1 6 0
2025 0 12 0
Infraestrutura 2024 1 1.466 0
2025 1 1.128 0

Embora as demandas por soluções sejam urgentes, percebe-se que a maior parte das ações do Legislativo se concentra em requerimentos, pedidos de informação ou cobranças, e não em projetos de lei que possam gerar mudanças estruturais ou políticas públicas efetivas. Especialmente em temas críticos como seca e cheia.

Fiscalização seletiva ou inexistente

Na prática, muitos deputados parecem limitar sua atuação a discursos retóricos e postagens em redes sociais, o que contribui para a percepção de autopromoção política, e não de compromisso efetivo. O que pesa contra a Assembleia é o silêncio em momentos cruciais, quando poderia exercer papel de cobrança firme ao Executivo, e preferiu o alinhamento automático.

Porém, alguns deputados como Rozenha (PMB) e Wilker Barreto (PMN) ainda utilizam a tribuna para alertar sobre a seca e a crise hídrica, apresentaram projetos e propuseram ações concretas, como a dragagem dos rios e a assistência psicológica às vítimas.

O desafio da Aleam

A omissão ou a atuações mornas da Assembleia Legislativa diante das crises ambientais, sociais e econômicas do Amazonas ampliam o sofrimento da população e fragilizam a democracia local. O Legislativo estadual precisa transcender os discursos e traduzir em ação concreta seu papel de fiscalizador e representante do povo.

Em entrevista ao Portal AM1, o analista político Helson Ribeiro aponta que, no Brasil, existe uma tradição em que os chefes do executivo conseguem consolidar apoio nas assembleias legislativas e câmaras de vereadores por meio de negociações envolvendo cargos, prestígio e recursos. Isso enfraquece o papel fiscalizador do legislativo, que acaba se tornando uma extensão das orientações do governador, como ocorre, por exemplo, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAN) com o apoio ao governador Wilson Lima.

Segundo Helson Ribeiro, embora existam ações do governador Wilson Lima que mereçam reconhecimento e apoio, o ideal seria que os deputados mantivessem uma postura independente. Assim, poderiam apoiar iniciativas benéficas à população, mas também criticar aquelas que não estivessem alinhadas com os interesses públicos.

“Eu penso que uma independência dos deputados faria com que qualquer atitude aplausível fosse apoiada e qualquer atitude que não combinasse com a vontade da população fosse criticada“. declarou o analista. 

Questionado sobre a existência de uma oposição efetiva na ALEAM, o analista político Helso Ribeiro afirmou que, diferentemente de seis anos atrás, período em que a Assembleia chegou a discutir medidas drásticas como intervenção federal e impeachment, atualmente há uma base governista sólida, o que enfraquece manifestações críticas mais contundentes. Para ele, a ampla adesão dos deputados ao governo limita a atuação de uma oposição articulada.

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