Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Fragmentação da ‘esquerda’ favorece a direita no Amazonas?

Apoiada por Bolsonaro, candidata do PL surge como alternativa sólida diante da cisão entre lulistas no estado.

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(Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados, Reprodução/Redes Sociais, Antônio Lima/Secom, João Viana/Semcom & Jefferson Rudy/Agência Senado)

Manaus (AM) – A disputa pelos cargos das Eleições Gerais de 2026 no Amazonas já movimenta o tabuleiro político local. O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), pré-candidato ao Senado, aponta uma fragmentação no campo que ele identifica como sendo da esquerda, envolvendo nomes como David Almeida (Avante) e Omar Aziz (PSD). Enquanto isso, lideranças da direita buscam unidade em torno de nomes como Maria do Carmo (PL), apoiada por Jair Bolsonaro (PL).

Capitão Alberto Neto avalia que a ala que ele classifica como “esquerda” apresenta sinais de divisão, ao mesmo tempo, em que tenta consolidar um discurso de unificação das forças conservadoras no estado.

Em entrevista exclusiva à BandNews Difusora, nesta quinta-feira (10), o deputado federal participou de uma sabatina ao lado do também deputado federal Saullo Vianna (União Brasil), atual secretário da gestão municipal. Na ocasião, analisou o cenário político no Amazonas.

Na avaliação de Alberto Neto, David Almeida (Avante) — que o derrotou nas eleições municipais de 2024 — é figura central de uma suposta fragmentação. Ele considera que David poderá reunir duas estruturas de poder em 2026: a Prefeitura de Manaus e, possivelmente, o Governo do Estado, caso Wilson Lima deixe o cargo para disputar o Senado. Nesse caso, Tadeu de Souza (Avante), aliado e indicado por David, assumiria o Executivo estadual, concentrando o comando das duas máquinas nas mãos do grupo político de David.

“Se Wilson sai candidato ao Senado, que é o que ele quer, o vice é um aliado do David Almeida, que é o Tadeu de Souza (Avante). Eles são aliados. O David colocou o Tadeu lá e, pelo que conheço da nossa política local, o Tadeu não vai trair o David. A tendência é o Davi ter as duas máquinas na mão: a máquina do governo e a máquina da prefeitura de Manaus, que é muito forte, de enfrentar essa máquina, enquanto eles não sabem utilizar a máquina pública. Então, ele fica como um candidato muito forte ao governo, tendo as duas máquinas na mão”, explicou Alberto Neto.

Nesse mesmo cenário, o senador Omar Aziz (PSD) também entra no jogo. Ele já se declarou pré-candidato ao Governo do Amazonas, conforme afirmou em entrevista ao Portal Amazonas 1.

Ao mesmo tempo, o deputado defende a unificação da direita, apesar das divergências internas no PL. O presidente estadual da sigla, Alfredo Nascimento, tem dado declarações que contrastam com as do vereador Sargento Salazar (PL), voz influente no partido e crítico declarado de Wilson Lima.

Alfredo, que já foi um duro opositor de Wilson, mudou o tom recentemente. Subindo no palanque de Wilson, surpreendeu ao afirmar: “Há muito não se via um governador que gostasse de gente como o Wilson Lima gosta”. A fala, mais afável, contrasta com a postura que adotou na eleição para a Prefeitura de Manaus em 2020.

Naquele pleito, Alfredo afirmou em entrevista ao Jornal do Comércio: “Não ia perder o pescoço”, e foi direto ao alertar: “Corremos o risco de ter um Wilson Lima no governo e um Wilson Lima na prefeitura”.

Nos bastidores, ganham força as articulações para uma possível candidatura de Wilson Lima ao Senado. Embora evite declarações públicas sobre o tema, o governador tem se aproximado do campo da direita, especialmente por meio da relação com Jair Bolsonaro. Ele também mantém vínculos com Alfredo Nascimento, que indicou nomes para cargos no Executivo estadual.

Com uma possível eleição fragmentada, envolvendo Omar Aziz e David Almeida — ou um nome por ele apoiado —, surgem especulações sobre a viabilidade da candidatura de Maria do Carmo (PL). A pulverização da esquerda ampliaria as chances da candidata bolsonarista?

Questionado pelo Portal AM1, o cientista político Breno Leite, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), considera que, por enquanto, essa fragmentação ainda não altera de forma significativa o cenário eleitoral.

“Agora, em relação a essa discussão — digamos, mais paroquial — se racha, se alia, enfim, entre o Omar, o Eduardo e o atual prefeito, David Almeida, é uma questão que vai se resolver no processo”, disse o cientista político.

Breno Leite acrescenta que o cenário permanece polarizado entre dois grandes blocos nacionais. De um lado, Maria do Carmo, com o respaldo de Jair Bolsonaro; do outro, Omar Aziz, com o apoio tácito do presidente Lula.

“Até agora, o que nós temos? Temos consolidada a candidatura da Maria do Carmo, que vem com o apoio do Bolsonaro. Ou seja, houve um processo de nacionalização da eleição local, à medida que Bolsonaro também se coloca como um candidato ‘impresenciável’. E temos o Omar com o apoio não explícito, mas latente, do Lula. Então, essas são as duas grandes forças políticas”, explicou.

 

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