Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Coluna AM1

STF evita prisão de Bolsonaro por cálculo político e tensão internacional com os EUA

Decisão envolve articulação entre ministros, Planalto e observadores americanos.

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Coluna Conexão Brasília – Por Clébio Cavagnolle*

MORAES DE OLHO EM BOLSONARO

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de não converter as medidas cautelares de Jair Bolsonaro em prisão preventiva deram um fôlego ao ex-presidente, mas está longe de configurar um relaxamento na vigilância sobre as declarações públicas de Bolsonaro. Moraes avisou: se voltar a descumprir qualquer medida restritiva, a prisão será imediata. Esta “segunda chance” dada ao político não é mera bondade do ministro. Foi um acordo construído com a influência dos demais integrantes da Corte e de membros do alto escalão do Governo Federal, tudo para não transformar o ex-presidente em vítima e para evitar uma escalada na tensão entre Brasil e Estados Unidos, tendo Donald Trump avaliando de perto o que acontece por aqui a poucos dias do tarifaço entrar em vigor.

HORA CERTA

Ministros do Supremo defenderam junto a Moraes que não é o momento ideal para uma eventual prisão de Bolsonaro. Um movimento em falso, avaliam integrantes da Corte, poderia não só levar a uma série de protestos, como atrapalhar o andamento da ação penal sobre o suposto plano de Golpe de Estado liderado pelo ex-presidente. Até mesmo na Procuradoria-Geral da República, autora da denúncia que levou ao processo, o momento é visto como delicado e poderia acirrar a guerra comercial entre o Brasil e Donald Trump.

PROTESTOS

De olho na disputa por uma cadeira no Senado, o deputado federal Alberto Neto (PL), saiu na frente como organizador dos protestos “Fora Lula e Moraes” no Amazonas. Além de uma ampla campanha em suas redes sociais, o bolsonarista tem convocado a militância para um ato marcado para 3 de agosto na Ponta Negra, em Manaus. Neto tem estendido o tapete vermelho para além do PL e dos partidos da direta. A interlocutores, disse que pretende atrair também figuras do centrão. O deputado e aspirante a senador tem afirmado que o objetivo é aprovar a anistia para todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, além do impeachment de Moraes. Este, aliás, deve ser um dos motes do deputado na campanha do ano que vem: formar maioria de bolsonaristas no Senado para tentar passar o afastamento de ministros do STF.

BATALHA DE VICES

Tem incomodado a cúpula do PSD, partido de Omar Aziz, o apetite do prefeito de Manaus, David Almeida, do Avante, em indicar um vice na chapa de Omar ao governo do Estado. David tem dito a interlocutores que seria impossível estar no palanque de Omar sem indicar o vice. O esforço, inclusive, é para emplacar a própria filha, Fernanda Aryel Almeida. O prefeito já havia acenado com outros nomes, como seu vice, Renato Junior, e um de seus secretários, Saullo Vianna. No PSD, no entanto, há um esforço para que o ex-prefeito de Parintins, Bi Garcia, do mesmo partido, lidere a chapa com Omar.

MISSÃO AMAZONAS

Seguindo o pedido de prioridade para o Amazonas que partiu do próprio presidente Lula, o primeiro escalão do Governo Federal tem se movimentado com viagens ao Estado. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve em Manaus na terça-feira. Ao lado do governador Wilson Lima, vistoriou as obras da Casa da Mulher Brasileira, projeto voltado para o atendimento de mulheres vítimas de violência e em situação de vulnerabilidade. Segundo fontes do Planalto, Lula quer visitas constantes de ministros de Estado ao Amazonas, nem que seja para vistoriar obras ou acompanhar projetos de perto. O próprio presidente deve intensificar visitas ao Estado.

INCÔMODO

O senador Plínio Valério (PSDB) voltou a fazer duras críticas contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Desta vez, usou as redes sociais para reclamar sobre a criação de um novo grupo de trabalho para discutir a viabilidade da pavimentação da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. O senador classificou a medida como manobra política para adiar novamente o início das obras e enganar o povo do Amazonas. Na Pasta comandada por Marina, principalmente entre interlocutores da ministra, o comentário é que as críticas sem fundamento incomodam e atrapalham um trabalho sério. Fontes ligadas ao ministério lembram que, em março, Plínio Valério chegou a dizer que sentia vontade de “enforcar” a ministra Marina Silva.

(*) Jornalista há 21 anos, passou por veículos da grande Mídia como O Estado de São Paulo e TV Globo. Atualmente, é repórter e apresentador de TV Record. Atua há oito anos na cobertura política em Brasília, com foco nos Três Poderes. Trafega entre as principais autoridades do País. Constantemente de olho nos bastidores das decisões tomadas na Capital Federal que impactam todo o Brasil, principalmente o Amazonas.

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