Cumplicidade
Os deputados estaduais do Amazonas estão na mira com a PEC da Blindagem. A proposta, que já é polêmica em Brasília, também pode criar um “escudo local” para os parlamentares da Aleam. Dos 24, só seis tiveram coragem de dizer não. O resto segue no conveniente silêncio.
Subserviência
O presidente da Aleam, Roberto Cidade, que sonha com vaga em Brasília, finge não ouvir o barulho. Mas silêncio também fala – e, nesse caso, soa como obediência ao União Brasil, onde a maioria bate palmas para a blindagem.
Apetite
E por falar em família Cidade, não custa lembrar: a irmã do presidente da Aleam faturou um contrato de R$ 20 milhões com o governo Wilson Lima para locação de veículos. De 2022 pra cá, já são R$ 77,6 milhões em contratos públicos, segundo noticiou o Portal AM1 a partir de dados públicos no Portal da Transparência. Enquanto a blindagem não chega, os cofres seguem bem abertos.
Malabarismo
E já que o assunto é blindagem, vale registrar: os assessores do vereador Raiff Matos (PL) se especializaram em blindá-lo de qualquer contato com a imprensa. A desculpa esfarrapada é sempre a mesma — “a mídia deturpa as falas do vereador”. Nesta quarta, em meio ao protesto de professores na CMM, a equipe de Raiff fez malabarismo até conseguir tirar o parlamentar de cena sem responder a uma única pergunta do Portal AM1. Entre os quatro vereadores do PL, Raiff já ganhou fama: é, de longe, o campeão em se esconder da imprensa. Blindagem, no caso dele, virou sinônimo de covardia política.
Mamata
Enquanto a saúde pública do Amazonas agoniza, a deputada Joana Darc e o vereador Aldenor Lima resolvem usar dinheiro da Aleam e da CMM para bancar inscrição em congresso de veterinária no Rio. Veterinários da rede pública, que de fato precisariam da capacitação, ficam de fora, enquanto o casal-político-empresário aproveita o erário para turbinar o currículo que, no fim das contas, serve mesmo é para a clínica particular deles. Um escárnio travestido de “defesa da causa animal”.
Medo
O projeto de Débora Menezes (PL) que proíbe artistas de manifestar opinião política em shows não é sobre impessoalidade — é censura com maquiagem legal. Quer palco sem crítica, arte sem voz e cultura sob coleira. O Amazonas merece mais do que políticos que têm medo da arte. Para a cantora amazonense Lucilene Castro, a proposta de Débora Menezes expõe ignorância sobre o papel da arte e desprezo pela Constituição. Ao tentar calar artistas, a deputada repete um gesto autoritário que empobrece a sociedade e transforma a cultura em silêncio imposto.
Contraste
Plínio Valério ganhou fôlego extra na pré-campanha ao Senado com a liberação de milhões em emendas que chegaram a hospitais, comunidades ribeirinhas e prefeituras do interior. No comparativo, enquanto Eduardo Braga e Capitão Alberto Neto afinam discurso, Plínio apresenta entrega. Nos bastidores, aliados dizem que os resultados concretos o credenciam como “candidato do trabalho feito”, carta forte na disputa que se desenha para 2026.
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