Coluna Conexão Brasília – Por Clébio Cavagnolle*
FEDERAÇÃO NATIMORTA
O senador Eduardo Braga, líder do MDB no Senado, entrou em campo para defender a federação entre a sigla a que pertence e o Republicanos. O argumento é que uma união fortaleceria os partidos, mas internamente, correligionários dizem que o verdadeiro objetivo é evitar um isolamento do MDB. Braga usa o exemplo da parceria bem sucedida entre União Brasil e Progressistas, que deu origem à União Progressista. A federação não funciona como uma fusão. Trata-se de uma aliança, que mantém as identidades de cada legenda, mas forma uma espécie de Super Bancada, com votos de peso para negociações. Dentro do MDB, o deputado federal Eunício Oliveira, que deseja voltar ao Senado, passou a fazer coro com Braga, e tenta convencer líderes tradicionais da sigla, como Renan Calheiros, a embarcar na empreitada. De outro lado, integrantes do Republicanos dizem que a ideia nasceu morta e já estaria descartada pelo presidente do partido, Marcos Pereira. Em conversas com aliados, Pereira disse que a aliança impediria os partidos federados de lançar chapas separadas por quatro anos, o que não interessa à legenda. Entretanto, correligionários afirmam que muita água ainda pode passar debaixo dessa ponte. Caciques do MDB ainda acreditam numa eventual mudança de pensamento de Marcos Pereira.
MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA
O Governo Federal está feliz da vida com a atuação dos senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) nesta semana. Depois de articularem o sepultamento da PEC da Blindagem, os dois conseguiram mobilizar os colegas do Senado para aprovar, por unanimidade, o projeto de lei que isenta da cobrança do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil e a redução proporcional para os que recebem até R$ 7,3 mil. O texto, de autoria do próprio Braga, tramitava na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa e agora vai para a Câmara. O assunto é uma bandeira pessoal do presidente Lula, que fez chegar elogios aos dois aliados.
CLIMÃO
Torta de climão na aprovação do PL do Imposto de Renda. Durante a audiência, houve um embate entre Omar Aziz (PSD) e Izalci Lucas (PL), que pediu vista do projeto. Omar não gostou, e chamou a medida de protelação. Izalci, mesmo contrariado, não quis bater boca, mas foi defendido por outros senadores sob o argumento de ter direito a um pedido de mais tempo para apreciar a matéria. Para colocar panos quentes, o presidente da Comissão, senador Renan Calheiros (MDB) concedeu apenas 24 horas em razão da urgência do assunto. Tudo certo, a medida agradou a gregos e troianos.
SEM PRESSÃO
Integrantes da cúpula do União Brasil esperam uma definição do governador do Amazonas, Wilson Lima, sobre o interesse de uma eventual disputa ao Senado. Wilson tem aparecido em terceiro lugar nas pesquisas, mas o resultado não animou o governador. Há, no partido e nos corredores de Brasília, a convicção de que ele pode abrir mão da candidatura se achar que não tem chances reais de vitória. No entanto, Wilson tem sido aconselhado a não deixar de se colocar na disputa, sob o risco de ficar esquecido sem mandato. Fontes do partido afirmam que ainda não é hora de pressionar o governador, mas alertam que o relógio está correndo.
OPERAÇÃO DESPROPORCIONAL
O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) pediu que a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara faça uma visita técnica ao município de Humaitá, no sul do Amazonas, para verificar o tamanho do estrago depois de uma operação da Polícia Federal, que gerou forte impacto na população do local. O deputado considera que a operação foi desproporcional pelo uso de explosivos e armamento pesado. O caso foi questionado também no Senado e tem como principal critico o senador Plínio Valério (PSDB).
VAZAMENTOS
A cúpula da Polícia Federal tem defendido a operação e deve avançar sobre uma organização criminosa suspeita de vazar informações sigilosas da atuação policial para garimpeiros ilegais no Amazonas e também em Rondônia. Segundo agentes da PF, um funcionário terceirizado de uma empresa de limpeza teria repassado informações sigilosas, como deslocamento de policiais e planejamento de operações especiais, a pessoas ligados ao garimpo ilegal em Humaitá. Com as dicas, os garimpeiros conseguiram esconder dragas e balsas dos policiais.
DRAMA OU MANHA?
Tarcísio de Freitas voltou a garantir que não pretende disputar a presidência no ano que vem. Aos aliados, informou que toda a estratégia política será concentrada em tentar a reeleição ao governo de São Paulo. A preocupação do governador é a possibilidade de fragmentação da direita, lançando vários candidatos, o que na visão dele, daria vitória fácil ao presidente Lula. A falta de apoio da família Bolsonaro é outro problema apontado por Tarcísio. Entusiastas da candidatura do governador ao Planalto, no entanto, afirmam que ele está “fazendo manha” para enquadrar as lideranças do centrão. Dentro do Republicanos, partido do governador, no entanto, correligionários têm classificado a postura como “drama”. “Ele quer Chamar a atenção do Bolsonaro”, disse um dos caciques. Caso decida entrar na disputa presidencial, o governador precisa deixar o cargo até abril de 2026, por exigência da legislação eleitoral.
COM QUÍMICA E SEM SANÇÕES
O presidente Lula tem dito que espera para breve a possível conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump. Lula também acredita que o encontro, possivelmente por videoconferência, será ameno e civilizado. A “química” entre os dois, relatada por Trump em discurso na Assembleia Geral da ONU, trouxe esperança ao governo brasileiro de que o líder norte-americano poderá amenizar o tarifaço imposto ao Brasil. Mais que isso, ministros do Supremo Tribunal Federal afirmaram a esta coluna terem a promessa de que Lula vai defender o Poder Judiciário, o que na visão deles, abre espaço para a retirada das punições contra os integrantes da Corte e seus familiares. A tensão foi escalada nesta semana com a aplicação da Lei Magnitsky à Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e à empresa da família. Em conversas entre o Itamaraty e o STF, a expectativa é de uma possível restituição dos vistos aos ministros, mas não se vislumbra a chance de que Moraes seja beneficiado com isso, pelo menos, por enquanto. As fontes, o entanto, deixam claro: “Tudo na base dos sonhos, porque ninguém sabe como Trump vai reagir ao Lula”.
(*) Jornalista há 21 anos, passou por veículos da grande Mídia como O Estado de São Paulo e TV Globo. Atualmente, é repórter e apresentador de TV Record. Atua há oito anos na cobertura política em Brasília, com foco nos Três Poderes. Trafega entre as principais autoridades do País. Constantemente de olho nos bastidores das decisões tomadas na Capital Federal que impactam todo o Brasil, principalmente o Amazonas.
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