(Foto: Divulgação)
Coari (AM) – O governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), passou o sábado (2) e deve continuar em Coari neste domingo (3), onde cumpre agenda institucional ao lado de Adail Pinheiro, atual prefeito do município, e de seu filho, o deputado federal Adail Filho.
A presença de Wilson no reduto político da família Pinheiro vai além das entregas pelo Governo do Amazonas: trata-se de uma movimentação estratégica com forte viés eleitoral, mirando apoios para 2026, quando o governador pode disputar novo cargo, como o Senado ou uma vaga na Câmara Federal.
A aproximação chama atenção porque a família Pinheiro é historicamente aliada de Omar Aziz (PSD), que deve disputar o governo do Amazonas em 2026, e também de Eduardo Braga (MDB), que tentará a reeleição ao Senado.
Ambos hoje são adversários políticos de Wilson Lima, que se articula para manter influência no interior e ampliar sua base para o futuro.
Capital político
Apesar das alianças locais, Wilson sabe que a família Pinheiro ainda detém um expressivo capital político em Coari, um dos maiores colégios eleitorais do interior do Amazonas, com cerca de 50 mil eleitores.
O apoio do grupo é decisivo para qualquer palanque competitivo no Médio Solimões.
No entanto, a presença constante do governador ao lado da família também expõe uma contradição. Adail Pinheiro, que ainda comanda o cenário político em Coari, tem um histórico de escândalos envolvendo corrupção, improbidade administrativa e até exploração sexual de menores — casos que repercutiram nacionalmente e deixaram marcas profundas na política amazonense.
Apesar disso, o grupo político continua com força na região, consolidando-se como um dos mais influentes no interior.
O ex-prefeito Adail Filho, por sua vez, atua em alinhamento com o pai e o clã político, mesmo após assumir o mandato parlamentar. A gestão em Coari tem sido marcada por investimentos com forte apelo popular e por uma estrutura de poder que centraliza decisões e favorece a manutenção do grupo no poder há décadas.
A visita de Wilson Lima, portanto, não é apenas administrativa. Representa um gesto político claro: a tentativa de quebrar resistências e consolidar alianças, mesmo com figuras envolvidas em graves denúncias.
Em troca, o governador oferece obras, investimentos e presença constante, em uma barganha velada que antecipa a corrida eleitoral de 2026.
Nos bastidores, interlocutores próximos a Wilson admitem que o governador avalia cenários para se manter relevante politicamente após o fim de seu mandato.
Seja como senador ou — em uma reviravolta — candidato a deputado federal, Wilson Lima precisa de palanques no interior, e Coari, com sua força eleitoral e estrutura montada, é um deles.
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