(Foto: Reprodução e Divulgação/ UEA)
Manaus (AM) – Mais de duas décadas após o lançamento do projeto da Cidade Universitária da UEA, em Iranduba, o tema volta ao centro do debate político no Amazonas, não por avanço concreto da obra abandonada, mas pela disputa eleitoral que se avizinha.
O senador Omar Aziz (PSD) afirmou em entrevista que deixou recursos para a conclusão da obra, iniciada em sua gestão como governador. A declaração, de imediato, foi rebatida por adversários, como o ex-vereador Chico Preto, que exigiu provas de que o dinheiro realmente existiu.
Diante da polêmica, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) publicou edital convocando audiência pública para o dia 7 de outubro de 2025, em Manaus, com objetivo de discutir a destinação da área da chamada Cidade Universitária.
A convocação atende a um acórdão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), de 2020, que cobra providências em relação à obra paralisada
Segundo o edital, a audiência ocorrerá das 10h às 12h, no auditório da Escola Superior de Tecnologia da UEA (EST/UEA), em Manaus, com transmissão ao vivo pelo canal da universidade no YouTube.
A comunidade acadêmica poderá participar de três formas:
- Presencialmente, com direito a fala de até 2 minutos, mediante inscrição prévia até 1º de outubro;
- Por escrito, enviando contribuições via formulário eletrônico;
- Como ouvinte, acompanhando presencialmente ou pela internet.
O espaço físico terá limite de 170 pessoas, e todas as manifestações orais e escritas deverão se restringir ao tema da Cidade Universitária. Ao final, será lavrada uma ata com todos os registros e falas, que ficará disponível no portal da UEA.
Silêncio de anos
O governador Wilson Lima (União Brasil), que há quase sete anos à frente do Executivo nada fez de efetivo para resgatar a Cidade Universitária, agora resolve agir — justamente às vésperas de 2026, ano em que deve disputar uma cadeira no Senado.
O timing não é coincidência: Lima enfrentará nas urnas Omar Aziz, já lançado pré-candidato ao governo, e Eduardo Braga, que busca a reeleição no Senado.
Esse movimento tardio do governador soa mais como peça de marketing político do que como compromisso real com a educação superior no Amazonas.
A audiência pública marcada pela UEA pode até recolher contribuições da sociedade, mas não responde à pergunta central: haverá, de fato, investimentos concretos para retomar o projeto ou a Cidade Universitária continuará sendo apenas um palanque improvisado para políticos em busca de votos?
Enquanto Wilson Lima tenta se reposicionar como gestor atento às demandas da educação, a lembrança do abandono e da omissão pesa.
A disputa entre Aziz, Braga e Lima promete transformar a obra inacabada num símbolo do uso político da máquina pública.
Confira o edital de convocação de audiência pública:
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