Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Senador questiona inclusão do Rio Madeira no Plano de Desestatização

Plínio Valério anuncia audiência pública no Senado para debater impactos sobre comunidades ribeirinhas.

(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Manaus (AM) – O senador Plínio Valério afirmou, nesta sexta-feira (26), ao Portal AM1, que realizará uma audiência pública no Senado para debater a inclusão do Rio Madeira no Plano de Desestatização do Governo Federal.

Em entrevista ao portal, o parlamentar destacou que a medida precisa ser discutida com a população local, já que poderá afetar diretamente comunidades ribeirinhas. Segundo ele, os rios da região funcionam como estradas e, por isso, qualquer decisão deve considerar o impacto sobre os moradores.

“O governo federal quer fazer isso. Se a gente não conseguir impedir, vai fazer, sem nos ouvir, estuprando a nossa cultura. Os rios são nossas estradas. No Amazonas, nós não trafegamos, nós navegamos, e eles não entendem isso. Querer privatizar um rio sem ouvir a comunidade, que vai ser impactada. Olha só, no momento em que acontece isso no Rio Madeira, em Humaitá e Manicoré estão expulsando os extrativistas minerais familiares de suas atividades de décadas”, disse Plínio ao Portal AM1.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incluiu a Hidrovia do Rio Madeira, que liga Porto Velho (RO) a Itacoatiara (AM), no Programa Nacional de Desestatização (PND). O decreto publicado no Diário Oficial da União oficializa a intenção de transferir a gestão do trecho à iniciativa privada.

Além do Rio Madeira, o decreto também incorporou ao PND as hidrovias dos rios Tocantins e Tapajós. Dessa forma, o programa passa a contemplar mais de 3 mil quilômetros de vias navegáveis que poderão, futuramente, ser concedidas à iniciativa privada.

Nesse contexto, Plínio Valério levantou a preocupação de que ribeirinhos que utilizam a hidrovia diversas vezes ao dia possam enfrentar a cobrança de pedágio.

Em nova declaração ao Portal AM1, o senador informou que aprovou a realização de uma audiência pública no Senado e que pretende levar gestores municipais de Humaitá e Manicoré para apresentar os impactos à Comissão de Infraestrutura.

“Já aprovei uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura. Vamos levar o prefeito de Humaitá, de Manicoré, todo mundo interessado, para mostrar a essa gente que não entende o que é a Amazônia. Vou repetir mil vezes: na Amazônia, ninguém trafega; a gente navega. Alguns podem voar, mas quem não pode voar só tem o rio como estrada”, afirmou.

Até o momento, a data da audiência ainda não foi definida. Segundo informações repassadas ao Portal AM1, a expectativa é que a discussão ocorra nos próximos dias em Brasília.

 

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