Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

‘Cotão’ de Rosinaldo Bual pode revelar novo capítulo do mau uso de verba pública na CMM

Empresa contratada não atua na área de comunicação, mas prestou serviços como “divulgação de atividades parlamentares” ao gabinete do vereador.

Rosinaldo Bual gastou mais de R$ 100 mil com confecção para divulgar atividade parlamentar

(Foto: Reprodução/ Assessoria do vereador Rosinaldo Bual)

Manaus (AM) – O vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso na última sexta-feira (3) pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), é suspeito de liderar um esquema de rachadinha em seu gabinete dentro da Câmara Municipal de Manaus. Além dessa investigação, registros públicos mostram que o parlamentar utilizou, entre fevereiro e agosto de 2025, o valor de R$ 114.502,34 da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), conhecida como “Cotão”, para serviços de divulgação da atividade parlamentar de uma única empresa.

De acordo com informações disponíveis no Portal da Transparência, o vereador firmou, no período de sete meses, contrato com a empresa Maely Indústria e Comércio de Confecções LTDA., localizada na Rua Maria Tereza, nº 88, bairro Japiim, zona Sul de Manaus. O objetivo do contrato era promover a divulgação de suas atividades parlamentares.

A empresa foi responsável por prestar os serviços contratados nos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto. No entanto, conforme o cadastro na Receita Federal, a principal atividade é a confecção sob medida de vestuário, não havendo relação direta com o tipo de serviço de comunicação ou publicidade que justificaria a contratação para fins de divulgação parlamentar.

Criada em 2000, a empresa atende pelo nome fantasia “Maely Malhas” e possui o CNPJ 04.141.849/0001-36. Constam como sócios Elisangela dos Santos Batista e Marco Aurélio Almeida Bader Júnior.

Entre as atividades secundárias registradas na Receita Federal estão:

  • Serviços de acabamentos gráficos, exceto encadernação e plastificação

  • Comércio varejista de calçados

  • Comércio varejista de artigos esportivos

  • Fabricação de outros produtos têxteis não especificados

A situação levanta suspeitas sobre o uso dos recursos públicos destinados à atividade parlamentar. O caso vem a público em um momento em que o vereador já enfrenta acusações de práticas ilícitas envolvendo servidores e uso indevido de verbas públicas.

Prisão do vereador

Durante a operação, foram apreendidos dinheiro, cheques e uma arma de fogo. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 2,5 milhões em bens vinculados ao vereador.

Segundo o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), servidores eram obrigados a repassar parte de seus salários aos líderes do esquema, que posteriormente transferiam os valores para Bual. A prática configura crime de peculato, entre outros, pelos quais o vereador deverá responder.

Cota Legislativa

O “Cotão” é um recurso financeiro mensal disponibilizado aos parlamentares, como deputados, senadores e vereadores, para auxiliar no desempenho de suas funções legislativas. Essa verba tem o objetivo de cobrir as despesas relacionadas às atividades do mandato, permitindo que o parlamentar exerça suas responsabilidades de forma eficiente e transparente.

Entre os gastos que podem ser custeados com a CEAP estão a locação de imóveis e veículos, a compra de materiais de expediente, o abastecimento de combustível, a contratação de serviços de consultoria e assessoria técnica, além de outras despesas necessárias para o bom funcionamento do gabinete e para o contato com a população.

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