Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

CMM cria frente parlamentar da BR-319 enquanto ignora problemas reais de Manaus

Enquanto os vereadores se reúnem para discutir uma rodovia federal — cuja responsabilidade é do Governo Federal e do DNIT —, Manaus enfrenta uma série de crises urbanas e sociais.

cmm-aposta-na-br-319-desenvolv

(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) aprovou a criação da Frente Parlamentar em Defesa da BR-319, por meio da Resolução nº 173/2025, assinada pelo presidente David Reis (Avante).

A iniciativa, segundo o texto oficial, tem como objetivo “promover debates, estudos e ações voltadas à reestruturação, pavimentação e manutenção da BR-319”.

No papel, parece uma pauta nobre. Na prática, é mais um movimento político vazio de uma Casa que pouco ou nada faz para enfrentar os problemas cotidianos da capital amazonense.

Prática de omissão

Enquanto os vereadores se reúnem para discutir uma rodovia federal — cuja responsabilidade é do Governo Federal e do DNIT —, Manaus enfrenta uma série de crises urbanas e sociais: ruas esburacadas, transporte público precário, bairros inteiros sem saneamento, enchentes constantes e lixo acumulado.

Em vez de usar o plenário para cobrar soluções municipais, a Câmara insiste em se posicionar como fórum de debates simbólicos, com efeito prático nulo.

A frente parlamentar terá composição aberta a qualquer vereador interessado, e direito a presidente, vice e secretário.

O texto ainda prevê “a realização de audiências públicas, seminários e campanhas de mobilização”.

Tudo isso exigirá estrutura, diárias e possivelmente recursos públicos — mais uma pauta que se soma ao gasto institucional de um Legislativo que raramente debate as demandas urgentes da população manauara.

A Câmara parece mais preocupada em posar de “defensora da Amazônia integrada” do que em resolver o drama do transporte coletivo, que todos os dias deixa milhares de trabalhadores à mercê de ônibus lotados e atrasos crônicos.

Câmara desconectada

A resolução ainda prevê funcionamento por prazo indeterminado e reuniões “presenciais ou virtuais” — um formato cômodo que pode servir para discursos e fotos, mas dificilmente resultará em melhorias concretas.

A cidade, por sua vez, segue abandonada nas mesmas pautas que não rendem manchetes nem dividendos eleitorais: mobilidade, drenagem, limpeza urbana, habitação e segurança nos bairros.

LEIA MAIS: