Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Entre incentivos e inovação, Zona Franca busca espaço na corrida da inteligência artificial

De acordo com dados do IBGE, a IA foi a tecnologia avançada que mais se expandiu nos últimos anos, consolidando-se como uma ferramenta essencial na modernização industrial.

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(Foto: Divulgação/Freepik)

Manaus (AM) – O avanço das inteligências artificiais tem provocado reflexões em diversos setores econômicos no mundo inteiro. Surge, assim, o questionamento: a capital amazonense e seu principal modelo econômico, a Zona Franca de Manaus (ZFM), estão preparadas para ingressar plenamente nesse mercado tecnológico em expansão?

O uso de inteligência artificial (IA) na indústria não é recente e cresce de forma constante. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a IA foi a tecnologia avançada que mais se expandiu nos últimos anos, consolidando-se como uma ferramenta essencial na modernização industrial.

Em 2024, entre as 10.167 empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas nos segmentos de indústrias extrativas e de transformação, 9.054 (ou 89,1%) utilizaram pelo menos uma das tecnologias digitais avançadas analisadas pela pesquisa: Big Data, Computação em Nuvem, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Manufatura Aditiva e Robótica.

Ainda segundo o relatório do IBGE, todas as tecnologias digitais avançadas apresentaram crescimento em 2024 em comparação com 2022. A Computação em Nuvem foi a mais utilizada (77,2%), seguida da Internet das Coisas (50,3%), da Inteligência Artificial (41,9%) e da Robótica (30,5%). Em 2022, esses percentuais eram, respectivamente, 73,6%, 48,6%, 16,9% e 27,7%, o que evidencia o ritmo acelerado de adoção tecnológica.

Esse panorama reflete parte da realidade industrial do país, com destaque para Manaus, onde o principal eixo econômico é o Polo Industrial de Manaus (PIM). Nesse contexto, a capital amazonense busca compreender como seu parque fabril tem se ajustado às novas exigências da transformação digital.

De acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o PIM empregou em agosto 129.955 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados, número 1,31% superior ao de julho (128.276 trabalhadores) e 2,41% acima do registrado em agosto de 2024 (126.893 trabalhadores). Até agosto de 2025, a média mensal de empregos alcançou 131.569 postos, aumento de 8,58% em relação à média do mesmo período de 2024 (121.176 trabalhadores).

Diante desses dados, o PIM mantém-se como referência industrial, mas a questão permanece: como o polo tem se adaptado às evoluções impulsionadas pela inteligência artificial? Para responder, o Portal AM1 ouviu o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, que avalia a IA como um novo paradigma no cenário global da indústria.

Antônio Silva destacou que o Amazonas se sobressai nacionalmente nos indicadores de empregos digitais e que o Polo Industrial de Manaus já possui uma base sólida para adoção da tecnologia. “O Polo Industrial de Manaus, que já é um centro notável na produção de Bens de Informática e Eletroeletrônicos, possui um ecossistema robusto de Tecnologia da Informação e Comunicação que o posiciona favoravelmente para a rápida adoção da IA. O Amazonas, inclusive, tem se destacado nacionalmente em indicadores de empregos digitais, o que demonstra que a base para essa transformação já está estabelecida na região, impulsionada pelo próprio modelo da ZFM”, disse ao AM1.

Questionado sobre como as indústrias do PIM têm aplicado a IA na prática, o presidente da Fieam afirmou que a adaptação ocorre em múltiplas frentes, com foco na otimização de processos e na qualificação da mão de obra.

“A indústria local tem investido na modernização de linhas de montagem com sistemas de visão computacional para inspeção de peças e produtos, aumentando drasticamente a precisão e a velocidade do controle de qualidade. Além disso, a aplicação de robótica avançada e colaborativa, cada vez mais integrada com a IA, permite flexibilizar a produção e atender à diversificação de portfólio demandada pelo mercado”, explicou.

Entre as prioridades da Fieam nessa transição está a atualização da matriz curricular de formação profissional. Segundo Antônio Silva, o objetivo é garantir que “a mão de obra do Amazonas esteja apta a operar, programar e manter os sistemas inteligentes”.

Ele reforçou que “a capacitação em áreas como Análise de Dados, Desenvolvimento de Software e Manutenção de Sistemas Ciberfísicos é uma prioridade estratégica, visando suprir a demanda industrial por profissionais com competências digitais avançadas”.

Além dos incentivos fiscais, o dirigente ressaltou que a Zona Franca de Manaus deve ser vista como um ecossistema tecnológico consolidado, sustentado por um Polo de Componentes e Insumos Eletrônicos que fortalece toda a cadeia produtiva. Esse arranjo reduz riscos logísticos e facilita a instalação de empresas com alto grau de automação.

“O nosso entendimento é de que a ZFM não é apenas um porto seguro fiscal, mas um ecossistema de produção consolidado e voltado para a alta tecnologia. A presença de um forte Polo de Componentes e Insumos Eletrônicos minimiza riscos da cadeia de suprimentos e facilita a implantação de indústrias que demandam insumos tecnológicos”, destacou o presidente da federação.

Por fim, Antônio Silva observou que os incentivos voltados à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) representam um diferencial competitivo do modelo.

“Os incentivos, especialmente aqueles vinculados a investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, tornam o nosso modelo extremamente atraente para empresas que buscam desenvolver e aplicar soluções de IA em seus produtos e processos”, finalizou.

 

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