Enem (Foto: Marcelo Casal/ Agência Brasil)
Manaus (AM) – Enquanto docentes convivem com baixos salários, estruturas precárias e falta de recursos pedagógicos, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) assinou um contrato de R$ 52.900.800,00 com a empresa Azimute Tecnologia Territorial Ltda, para prestação de serviços de mapeamento, mosaicagem, sensoriamento remoto, geoprocessamento e monitoramento.
O Termo de Contrato nº 95/2025, assinado no dia 23 de setembro de 2025, tem vigência de 12 meses e foi firmado sob o regime de empreitada por preço global, dentro do Pregão Eletrônico nº 141/2025-CSC, homologado em maio deste ano. O contrato foi assinado pela secretária Arlete Ferreira Mendonça e pela representante da empresa, Renata Lasmar Catão.
O objeto do contrato é descrito como um “investimento estratégico para a expansão qualificada do ensino”, mas o documento não detalha de que forma um mapeamento territorial melhoraria a qualidade educacional ou impactaria diretamente o aprendizado dos alunos.
A decisão chega no momento em que o Amazonas amarga o último lugar no ranking do Enem, superado por todos os demais estados brasileiros — um retrato cruel da falência da política educacional conduzida pelo governador Wilson Lima.
Enquanto o governo celebra contratos milionários com empresas de tecnologia, professores denunciam a precariedade das escolas e o abandono da valorização docente — um contraste gritante e simbólico justamente no dia dedicado a homenageá-los.
Contratos milionários
Nos últimos anos, a Seduc-AM acumulou uma série de contratações questionáveis, com cifras milionárias e pouca transparência. O contrato com a Azimute, de R$ 52,9 milhões, segue a mesma lógica: altos valores, justificativas vagas e promessas genéricas de “modernização da gestão educacional”.
Ao mesmo tempo, o Estado não consegue garantir o básico. O resultado é um ensino público em colapso — que produz os piores índices do país e um clima de desmotivação generalizada entre alunos e educadores.
TCE-AM reage
O gasto bilionário com “geoprocessamento educacional” ocorre justamente no momento em que o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) aprovou, por unanimidade, uma inspeção extraordinária nos 100 maiores contratos da Seduc.
A medida foi proposta após críticas severas do conselheiro Érico Desterro e sugestão do conselheiro Ari Moutinho Jr., em resposta à degradação dos indicadores de ensino.
A ação envolverá o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público Estadual (MPE), o Ministério Público de Contas (MPC) e a Polícia Federal, o que reforça a gravidade do cenário.
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