(Foto: Divulgação/Secom)
Manaus (AM) – Depois que o Amazonas ficou em último lugar entre todos os estados brasileiros no Enem, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) decidiu reagir: na sessão ordinária desta quarta-feira (15), os conselheiros aprovaram, por unanimidade, uma inspeção extraordinária nos 100 maiores contratos da Secretaria de Educação (Seduc).
A medida foi tomada após duras críticas do conselheiro Érico Desterro e sugestão do conselheiro Ari Moutinho Júnior, e contará com a participação do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público de Contas (MPC) e Polícia Federal.
O objetivo é apurar possíveis irregularidades em contratos que, há anos, consomem cifras milionárias sem retorno efetivo à sociedade.
A pior colocação do país no Exame Nacional do Ensino Médio é consequência direta de uma gestão ineficiente, opaca e voltada a interesses eleitorais.
O governo de Wilson Lima e a Seduc transformaram a política educacional em um experimento de improviso, onde a prioridade é a autopromoção e não o aprendizado dos alunos.
Enquanto o Estado celebra “inaugurações” e discursos sobre tecnologia, estudantes enfrentam escolas deterioradas, professores sem plano de saúde e uma rede pedagógica que desmorona.
O Enem não revelou um problema novo — apenas expôs, com dados incontestáveis, o resultado do descaso sistemático do governo com a educação pública.
A decisão do TCE-AM ocorre em meio a uma sucessão de escândalos que há anos rondam a Seduc e o governo Wilson Lima.
Gestão de marketing, resultados vergonhosos
O governo Wilson Lima consolidou um modelo de “gestão de fachada”: prioriza filmagens de entregas simbólicas, propagandas nas redes sociais e slogans de eficiência, enquanto a realidade nas escolas é de abandono.
A Seduc, em vez de focar na valorização docente e na melhoria do ensino, tornou-se um balcão de contratos milionários, muitos deles firmados com empresas desconhecidas, de objeto duvidoso e execução opaca.
Não é coincidência que, sob essa política de improviso e autoelogio, o Amazonas tenha caído para o último lugar do país no Enem.
O resultado é o reflexo fiel de um governo que transformou a educação em vitrine eleitoral — e não em compromisso de Estado.
A aprovação da inspeção extraordinária pelos conselheiros do TCE-AM representa um passo importante.
Há anos, denúncias sobre superfaturamentos, licitações suspeitas e desperdício de recursos públicos se acumulam, sem respostas efetivas da gestão estadual.
Desta vez, o desafio é romper com a impunidade institucionalizada.
A fiscalização, segundo os conselheiros, será técnica, profunda e implacável.
Enquanto os cofres públicos são drenados por contratos suspeitos, os alunos da rede estadual seguem em escolas alagadas, sem material didático, com merenda irregular e professores sobrecarregados.
O governo Wilson Lima, que já enfrentou escândalos de corrupção na Saúde durante a pandemia, repete o roteiro na Educação — com a diferença de que, agora, as vítimas são os jovens amazonenses privados do direito de aprender.
(*) Com informações da Assessoria.
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