(Foto: Divulgação/CMM & Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)
Manaus (AM) – Em um momento de descrédito histórico e rejeição popular sem precedentes, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) promulgou, nesta terça-feira (21), a Lei nº 609/2025, que institui abril como o mês de conscientização sobre a brincadeira de pipa e o uso de antenas corta-cerol na capital amazonense.
A norma, publicada no Diário Oficial do Legislativo (Edição 2284) e assinada pelo presidente da Casa, David Reis (União Brasil), destina recursos de emendas parlamentares e parcerias público-privadas para financiar campanhas educativas e até a criação de “pipódromos” – áreas públicas destinadas ao lazer com pipas, dotadas de cabos de aço e sinalização.
Enquanto a pauta poderia soar inofensiva em outro contexto, ela ganha contornos de ironia política quando comparada ao cenário de profunda insatisfação popular com o desempenho dos vereadores de Manaus.
Uma pesquisa do instituto Perspectiva Mercado e Opinião, divulgada nesta semana pelo Amazonas1, revelou que 70,3% dos manauaras classificam o desempenho da CMM como “ruim” ou “muito ruim”.
Os números revelam uma crise de legitimidade: mais de 85% dos manauaras afirmaram não se sentir representados por nenhum vereador, e 93,4% não sabem sequer onde buscar informações sobre as leis aprovadas pela Casa.
Em meio a essa desconexão, os parlamentares seguem votando leis de impacto simbólico e realidade questionável, enquanto problemas concretos da cidade – como transporte, creches, buracos e saúde pública – permanecem sem resposta.
Leis sem propósito claro
A aprovação da “Lei da Pipa” é mais um exemplo de legislação cosmética, que mobiliza aparato burocrático e orçamentário, mas não enfrenta nenhum problema estrutural da cidade.
A norma prevê até o uso de emendas parlamentares para compra e distribuição gratuita de antenas corta-cerol – um item de segurança importante, mas longe das prioridades que a população exige de seus representantes.
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