Manaus, 26 de julho de 2026
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Manaus, 26 de julho de 2026

Cenário

SES pagará R$ 24 milhões à +Gestor Tech por serviços de consultoria

A falta de transparência se soma a um contexto de caos administrativo e suspeitas de corrupção dentro da SES-AM.

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(Foto: Divulgação/SES-AM)

Manaus (AM) – Nem o decreto de limitação de empenhos, assinado há poucos dias pelo governador Wilson Lima (União Brasil) foi suficiente para conter mais um contrato milionário na Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

Em plena crise fiscal e em meio a uma série de escândalos e operações do Ministério Público que atingem o setor, o Governo firmou mais um contrato milionário sem licitação: R$ 24.090.847,18 foram entregues à empresa +Gestor Tech Ltda., sem licitação, segundo publicação do Diário Oficial do Estado.

O contrato, de 12 meses de vigência tem como objeto genérico a “prestação de serviços técnicos especializados em consultoria, auditoria e assessoria voltados à recuperação e otimização dos recursos federais remanescentes vinculados ao Fundo Estadual de Saúde do Amazonas (FES-AM)”.

A falta de transparência se soma a um contexto de caos administrativo e suspeitas de corrupção dentro da SES-AM.

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), deflagrou nas últimas semanas operações que investigam fraudes em contratos, direcionamento de licitações e desvios de verbas públicas na pasta.

Mesmo diante das investigações, o Governo mantém a rotina de firmar contratos milionários com empresas escolhidas sem concorrência, levantando dúvidas sobre os critérios e a real necessidade das contratações.

A contradição do governo Wilson Lima é evidente: enquanto o decreto de contenção de gastos suspende empenhos e atrasa pagamentos de fornecedores, a Secretaria de Saúde continua a firmar contratos de dezenas de milhões de reais para consultorias genéricas e de eficácia duvidosa.

O caso da +Gestor Tech ocorre no mesmo momento em que a SES-AM repassa a gestão do Hospital João Lúcio ao Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS) — uma organização social acusada em Santa Catarina por mortes de bebês em hospitais sob sua administração.

O IDEAS, que já controla mais de 20 unidades de saúde pelo país, agora passa a operar um dos maiores hospitais públicos do Amazonas, com aval do governo Wilson Lima.

A soma desses episódios — contratações milionárias sem licitação, terceirização de hospitais a instituições denunciadas, e investigações por fraudes em curso — reforça o retrato de uma gestão marcada por falta de controle, prioridades distorcidas e aparente blindagem política.

Enquanto pacientes enfrentam filas intermináveis, falta de medicamentos e precariedade nos hospitais, o governo segue direcionando milhões a contratos obscuros e empresas recém-chegadas ao cenário local.

A contratação da +Gestor Tech Ltda. por R$ 24 milhões, em plena vigência de um decreto de contenção fiscal, é mais um símbolo da contradição e do descompromisso do governo Wilson Lima com a transparência e a saúde pública do povo amazonense.

 

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