(Foto: Danilo Mello/ Aleam e Divulgação/ redes sociais)
Manaus (AM) – A declaração da deputada estadual Professora Jacqueline (UB) sobre uma suposta reunião produtiva entre o governador Wilson Lima e representantes sindicais da Educação foi contestada pelo Sindicato dos Professores e Pedagogos do Ensino Público de Educação Básica do Município de Manaus (Asprom Sindical). Segundo membros do sindicato, em entrevistas exclusivas ao Portal AM1, não houve diálogo com o governo sobre o reajuste salarial anunciado de 5,06% para os professores da rede estadual.
Durante sessão plenária na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na quarta-feira (5), a deputada destacou o que chamou de avanços obtidos em encontro realizado na terça-feira (4), afirmando que o diálogo com o governador foi “produtivo” e que o governo demonstrou disposição para atender demandas históricas da categoria.
“O governador foi muito pragmático ao falar sobre a valorização do professor. Quero parabenizá-lo porque compor com a categoria, que transforma a sociedade, é fundamental”, disse Jacqueline.
Em contraponto, o coordenador jurídico da Asprom Sindical, professor Lambert Melo, afirmou que a reunião não contou com participação efetiva do sindicato e classificou como incorreta a versão de que teria havido negociação.
“O governador Wilson Lima mentiu na sua coletiva, quando afirmou que já estava dialogando com os sindicatos, citando especificamente o sindicato dos professores, como se tivesse sido um processo democrático e negociado. Isso não aconteceu”, declarou Melo.
A professora Helma Sampaio também negou que o governo tenha dialogado com a categoria e afirmou que a reunião teve caráter unilateral.
“O governador não discute, não conversa, não quer saber dos interesses dos professores. Ele apenas divulgou esse percentual de reajuste de 5,06%, que não corresponde àquilo que ele deve à nossa categoria”, afirmou.
Helma acrescentou que o sindicato continuará mobilizado para reivindicar os direitos dos profissionais da Educação e cobrar o atendimento às pautas apresentadas pela categoria.
Já a professora Alessandra Souza, coordenadora geral do Sindicato, reforçou que o percentual anunciado foi definido sem consulta aos representantes da categoria e disse que o reajuste corresponde apenas à correção inflacionária.
“O governo chegou com o percentual fechado, de 5,06%. Isso não recompõe as perdas salariais. Desde 2021 há um acúmulo de cerca de 12% em valores devidos à categoria”, pontuou.
Ela também criticou a gestão dos recursos do Fundeb, afirmando que o governo utiliza o pagamento de abonos como medida paliativa e de caráter midiático.
“Na fala do governo, ele disse: ‘Nós temos dinheiro, eu preciso gastar esse dinheiro, porque se eu não gastar, não vou receber mais Fundeb’. E por que é tão mal gerido? Essa é a pergunta que sempre fica diante de uma fala como essa”, afirmou Alessandra.
O sindicato informou ainda que, ao longo de 2025, houve apenas uma audiência com o governo, realizada em abril, e que, desde então, não houve novas conversas sobre as reivindicações da categoria.
“Houve apenas uma audiência com a secretária Arlete no mês de abril e, de lá para cá, não houve mais nenhuma conversa”, concluiu Lambert Melo.
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