(Foto: Divulgação/Instagram @annemouraam/@nataliademes/@mariadocarmoseffair/@rebeccagarciaam)
Manaus (AM) – As mulheres ainda enfrentam grandes obstáculos para ocupar espaços de poder e decisão no país. No Amazonas, onde a presença feminina na política ainda é tímida, lideranças de três partidos PT, PSOL e PL compartilharam ao Portal AM1 visões distintas, mas convergentes em um ponto: é preciso abrir mais caminhos e combater o preconceito que ainda limita a atuação das mulheres na vida pública.
A presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL Manaus), Natália Demes, destaca que o machismo é um problema estrutural e presente em todas as instâncias da sociedade. Segundo ela, é preciso reconhecer essa realidade para que os partidos e instituições criem mecanismos de superação.
“O machismo está em todas as instâncias, em todas as instituições. Ele está na família, na igreja, na escola, no trabalho, em toda parte. Reconhecendo isso é que a gente cria mecanismos não só de fortalecer as mulheres, mas também de conscientizar os homens sobre seus privilégios e sobre as relações de poder e opressão que existem”, afirmou.
Natália reforça que o PSOL tem buscado se diferenciar internamente ao adotar medidas que garantem mais espaço para as mulheres e grupos historicamente minorizados.
“O PSOL é um partido que está adiante quando se trata de igualdade. Muitas vezes nossas chapas são compostas majoritariamente por mulheres. Temos paridade na composição dos diretórios e cargos, além de uma distribuição interna do fundo eleitoral que leva em conta gênero, raça e pessoas com deficiência. Uma mulher tende a receber um percentual maior, uma mulher negra ainda mais”, explicou.
A dirigente também enfatiza que o partido tem um papel ativo em pautas que envolvem os direitos das mulheres, como a descriminalização do aborto.
“O nosso diretório é parte ativa na ADPF 442, uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e pede a legalização do aborto até 12 semanas de gestação. Isso não vem de um partido ocupado por homens, mas de um partido que reverbera a luta das mulheres. As nossas parlamentares estão sempre na linha de frente na defesa das mulheres trabalhadoras, mães e cientistas”, destacou.
Natália lembra que, atualmente, o PSOL conta com mulheres na presidência dos diretórios municipal, estadual e nacional.
“Isso mostra o quanto a condução do partido feita por mulheres tem sido benéfica e traduz de fato as necessidades sociais. O PSOL abraça causas complexas e dá espaço para que a voz feminina seja institucionalizada e reverberada dentro e fora do partido”, completou.
Na outra ponta do espectro político, a pré-candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL-AM), também defende o aumento da presença feminina na política, mas com uma abordagem voltada à valorização de princípios e à formação de novas lideranças.
“Somos hoje a maior parte da população, o maior eleitorado, e as mulheres também já dividem igualmente com os homens a chefia dos lares em todo o Brasil. Ter mais mulheres na política é uma questão de democracia”, declarou.
Para Maria do Carmo, a política é uma ferramenta capaz de transformar a realidade, mas ainda é um ambiente hostil para as mulheres.
“Entrei na política para resgatar valores e porque acredito que ela tem as ferramentas necessárias para mudar a vida das pessoas para melhor. Infelizmente, o que vemos hoje são políticos que pensam em projetos de poder, e não em servir. Entre minhas metas, quero inspirar outras mulheres a entrarem na política. Não é um caminho fácil, principalmente aqui no Amazonas, onde ainda há ataques, mentiras e desrespeito”, afirmou.
A pré-candidata relatou que já foi e continua sendo alvo de ataques, mas garante que isso apenas a fortalece.
“Fui e sou vítima desses ataques, mas isso só me encoraja ainda mais a seguir firme. Se estou incomodando é porque já estou fazendo a diferença. O começo é sempre mais tortuoso, mas estou aqui para honrar as mulheres que vieram antes de mim e abrir caminho para as que virão depois. A violência política de gênero precisa ser combatida”, reforçou.
Maria do Carmo também destacou o trabalho do PL Mulher Amazonas, braço feminino do partido liderado nacionalmente por Michelle Bolsonaro, que ao todo são 6183 filiadas.
“O PL Mulher tem cumprido aquilo que nossa presidente nacional, Michelle Bolsonaro, determina: inspirar e incentivar que outras mulheres de bem e capacitadas entrem para a política. A política precisa de pessoas boas e desse olhar de cuidado que só a mulher sabe ter. O PL Mulher não está focado apenas em cumprir cotas, mas em ir além, ultrapassando números e estatísticas”, concluiu.
Já a secretária nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT), Anne Moura, reforça que o partido tem uma trajetória voltada à inclusão e à igualdade, mas reconhece que ainda há muito preconceito quando uma mulher decide disputar espaço de poder.
“O PT sempre teve as portas abertas para as mulheres. Somos um partido que nasceu acreditando na participação popular e na luta por igualdade. E isso também vale para dentro da política. Temos investido muito na formação e no fortalecimento das mulheres que querem disputar e ocupar espaços de decisão”, destacou.
Anne também compartilhou experiências pessoais de enfrentamento ao machismo dentro da política.
“A verdade é que ainda existe muita resistência e preconceito quando uma mulher se coloca na política. Eu mesma já vivi isso, já sofri violência política de gênero, e sei o quanto é desafiador enfrentar estruturas que tentam nos silenciar”, relatou.
Segundo ela, o trabalho da Secretaria Nacional de Mulheres do PT é justamente oferecer suporte e garantir que nenhuma mulher caminhe sozinha.
“Criamos projetos como o ‘Elas por Elas’, que apoia candidaturas, oferece formação e constrói redes de solidariedade entre nós. Seguimos firmes porque ocupar a política é um ato de coragem e de amor por outras mulheres”, completou.
A percepção sobre o machismo na política também é compartilhada pela ex-deputada federal Rebecca Garcia que destacou recentemente que ainda existe um preconceito muito grande com as mulheres que decidem entrar para a vida pública. Segundo ela, muitas pessoas ainda confundem o fato de ser mulher com fragilidade.
“Já sofri violência política de gênero. Um senhor, mesmo gostando do meu posicionamento, me disse que não votaria em mim porque não vota em mulher. Pode até parecer besteira, mas ainda existe muito isso, e é algo cultural”, afirmou Rebeca.
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