Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

OAB protesta por prerrogativas após prisões de advogados pela PF

Desagravo em defesa de quatro advogados detidos ocorre em meio a operações que relacionam profissionais a comunicações ilícitas no sistema prisional.

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(Foto: Paulo Andrade)

Manaus (AM) – Advogadas e advogados realizaram, na manhã desta sexta-feira (14), um Desagravo Público em frente à sede da Polícia Federal, em Manaus. O ato foi convocado pela OAB-AM para repudiar o que a instituição classifica como violação de prerrogativas contra os advogados Ramyde Caldeira Cardoso, Gerdeson Oliveira Menezes, Alisson Canto de Amorim e Janai de Souza Almeida, durante ações recentes da Polícia Federal.

A manifestação ocorreu às 10h30 e reuniu dezenas de profissionais, que defenderam o respeito às garantias da advocacia e criticaram como os quatro advogados foram conduzidos no momento das prisões.

Durante o ato, o presidente da OAB-AM, Cleuter Mendonça, afirmou que a entidade irá reagir a qualquer tratamento que considere abusivo:

“Nós, da Ordem dos Advogados do Brasil, não vamos permitir que advogado que esteja em pleno exercício da sua profissão seja colocado em camburão da polícia, seja algemado ou seja tratado de forma indigna. Nesse sentido, nós vamos trabalhar firme no sentido de apurar todas as responsabilidades.”

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(Foto: Paulo Andrade)

A ex-presidente da OAB-AM, Grace Benayon, presente na manifestação, afirmou que os advogados teriam sido submetidos a procedimentos que contrariam as prerrogativas profissionais, citando uso de algemas, transporte em camburão e exposição pública. Segundo ela, “é inaceitável a violação das prerrogativas da advocacia”.

“Existem regras, existe uma lei que garante os direitos das prerrogativas da advocacia que foram violados. O advogado não pode ser algemado, o advogado não pode ser exposto, o advogado não pode ir no camburão, o advogado não pode sofrer essa humilhação absoluta de ter a cabeça raspada, de ficar exposto para uma sociedade como se fosse um criminoso, antes de um devido processo legal”, afirmou Grace.

A advogada que concorre a vaga de desembargadora no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) também lembrou mobilizações realizadas durante sua gestão na OAB-AM e afirmou que sua presença no ato reforça seu compromisso com a defesa da classe.

“Eu não poderia deixar de participar deste momento, na medida em que, na minha opinião, para mim, a minha postura e o meu propósito é garantir e resguardar os direitos dos advogados e as prerrogativas da advocacia são invioláveis”, finalizou a advogada.

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(Foto: Paulo Andrade)

Segundo participantes, o objetivo do desagravo foi reforçar que ataques às prerrogativas atingem toda a classe e ameaçam o exercício independente da advocacia.

Contexto da situação

A manifestação ocorre dias após a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (Ficco/AM) deflagrar, na quinta-feira (6), a Operação Roque, com mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.

A operação é um desdobramento da Xeque-Mate e teve como alvo um núcleo jurídico e operacional de uma facção criminosa com atuação no sistema prisional do estado. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado seria responsável por intermediar comunicações ilícitas entre lideranças internas e externas da facção, favorecendo ordens com alcance interestadual e transnacional.

As investigações apontam que prerrogativas próprias da advocacia teriam sido usadas indevidamente para manter a hierarquia do grupo criminoso. A PF sustenta que a estrutura permitia pactos entre estados, coordenação de represálias e movimentação de recursos ilícitos.

Durante a ação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, mídias digitais, documentos e valores em espécie, que seguem para análise pericial.

A Operação Roque deriva da Xeque-Mate, que integra um conjunto de frentes investigativas iniciado na Operação Torre, responsável por identificar o proprietário de parte de um carregamento de mais de duas toneladas de drogas apreendido em setembro de 2024, em Manaus.

O Portal AM1 pediu posicionamento da Polícia Federal e aguarda resposta.

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