(Divulgação/Assessoria)
Manaus (AM) – Em um momento em que os índices de violência voltam a preocupar a população e colocam a Segurança Pública do Amazonas sob intenso questionamento, o governador Wilson Lima paga um contrato de R$ 22.462.950,00 para implantação do chamado “Sistema Paredão”, um pacote tecnológico de vigilância e reconhecimento facial firmado entre a Empresa de Processamento de Dados (Prodam) e o Consórcio Iron Pro.
O gasto milionário surge justamente quando a política de segurança do governo enfrenta forte desgaste. Nos últimos meses, o Amazonas registrou aumento consistente em crimes violentos — incluindo crescimento nos índices de homicídios em municípios da Região Metropolitana, escalada nas ocorrências de roubos e furtos em Manaus, além da incapacidade do Estado de conter facções que seguem expandindo seu domínio territorial.
A repercussão nacional sobre a fragilidade das forças de segurança e a pressão por respostas expuseram ainda mais as contradições da gestão Wilson Lima.
Mesmo assim, o governo opta por uma contratação de impacto financeiro elevado, mas de eficácia ainda indeterminada.
O contrato estabelece um custo mensal deR$ 1,84 milhão para manter os módulos ativos, sem que a Secretaria de Segurança Pública tenha apresentado qualquer diagnóstico técnico que justificasse a urgência, o escopo ou o retorno esperado do projeto.
Ligação
O Consórcio Iron Pro, responsável pelo sistema, é composto pelas empresas Ironfence Inteligência Artificial S.A. (líder do consórcio) e a Logic Pro Serviços de Tecnologia da Informação Ltda., encarregada dos kits tecnológicos, painéis, câmeras, torres e controladores.
Segundo informações dos bastidores da SSP-AM, a Logic Pro é ligada a um parente direto do alto escalão da SSP, o que cria um claro conflito de interesses: a pasta dirigida por Vinícius Almeida será usuária da estrutura fornecida por uma empresa de um familiar do alto escalão da Secretaria.
Em um governo já desgastado por denúncias de favorecimento político, contratações sob suspeita e constantes questionamentos do Ministério Público e da sociedade civil, a presença de uma empresa ligada ao círculo familiar do secretário em um contrato de R$ 22,4 milhões reacende a percepção de que decisões estratégicas da segurança atendem mais a interesses internos do que ao interesse público.
Tecnologia cara, resultados incertos
O “Paredão” prevê módulos que vão desde Polícia Judiciária e Polícia Técnico-Científica até infraestrutura de inteligência artificial capaz de acionar até 650 dispositivos de reconhecimento facial.
Mas, enquanto o gasto é milionário, as informações oferecidas pelo governo são mínimas:
- não há divulgação do mapa de instalação das câmeras;
- não há estudo de impacto;
- não há estimativa de redução de criminalidade;
- não há indicadores públicos que acompanhem a operação;
- não há transparência sobre quais bases de dados alimentarão o reconhecimento facial.
A população questiona como um Estado que não consegue garantir policiamento básico, efetivo suficiente nas ruas ou redução de crimes violentos pretende “resolver” problemas estruturais com tecnologia cara e sem planejamento transparente.
Velha conhecida
Antes de anunciar o “Sistema Paredão”, o Governo já havia contratado a Logic Pro, em 2021, por R$ 34,7 milhões para, curiosamente, realizar vigilância em rua por meio de câmera. O objeto é similar ao “Sistema Paredão” que é composto de câmeras de vigilância e reconhecimento facial e de placas.
Segundo o extrato do contrato a época, a empresa poderia realizar o
“remanejamento de câmeras para atendimento de eventos realizados no interior”.
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